Luanda – O militante do MPLA e pré-candidato à liderança do partido, António Venâncio, defendeu que o Presidente da República e líder do MPLA, João Lourenço, não deveria concorrer à sua própria sucessão na presidência da formação política, propondo que o actual dirigente assuma apenas a coordenação do processo preparatório do próximo congresso ordinário.
As declarações foram feitas durante uma entrevista recente, na qual Venâncio considerou que uma retirada voluntária de João Lourenço da corrida interna representaria um gesto político de grande dimensão e abriria espaço para um processo de renovação democrática dentro do partido.
“Ele devia ser o presidente da comissão organizadora, deixar a vida política e não ser mais candidato à sua sucessão”, afirmou António Venâncio.
Segundo o político, uma decisão deste género permitiria fortalecer a democracia interna e responder às expectativas de muitos militantes que defendem maior participação na escolha dos futuros dirigentes do MPLA.
“Os militantes do MPLA querem mudanças, mas não mudanças porque o outro esteve mal. Querem mudanças no sentido evolutivo, do progresso e da renovação do partido”, declarou.
Debate sobre a sucessão ganha força no MPLA
As declarações surgem num momento em que cresce o debate em torno da sucessão de João Lourenço na liderança do MPLA. Embora o actual presidente do partido ainda não tenha anunciado formalmente a sua posição sobre uma eventual recandidatura, vários militantes e dirigentes têm vindo a defender a abertura do processo a múltiplas candidaturas.
Nos últimos meses, nomes como António Venâncio, Higino Carneiro e José Carlos de Almeida manifestaram publicamente interesse em disputar a liderança do partido, defendendo maior competição interna e um congresso marcado pela participação efectiva dos militantes.
O tema ganhou ainda mais destaque após sucessivas intervenções de pré-candidatos que têm apelado ao reforço da democracia interna e à criação de condições para uma disputa considerada transparente e inclusiva.
Proposta de congresso competitivo
Na entrevista, António Venâncio apresentou uma visão detalhada sobre a forma como gostaria de ver conduzido o próximo congresso do MPLA. Na sua perspectiva, João Lourenço poderia liderar apenas os trabalhos preparatórios, garantindo igualdade de oportunidades para todos os concorrentes.
“Permito que os militantes se juntem, conversem, façam fogueiras de militantes e subscrevam várias candidaturas. Essas candidaturas vão a uma campanha eleitoral interna e os delegados escolhem a melhor proposta para dirigir o partido”, defendeu.
O pré-candidato considera que um processo deste tipo reforçaria a credibilidade do MPLA e transmitiria uma mensagem positiva tanto para os militantes como para a sociedade angolana.
“Se o camarada João Lourenço fizesse isso, não imagina a grande alegria que daria aos nossos militantes e a grande esperança que criaria para o futuro do MPLA”, acrescentou.
Renovação interna e desafios de 2027
A discussão sobre a liderança do MPLA ocorre numa fase politicamente sensível, com o partido a preparar o congresso que deverá definir a estratégia para as eleições gerais de 2027.
O debate sobre renovação, alternância geracional e democracia interna tem ocupado espaço crescente entre os militantes, numa altura em que diferentes correntes defendem reformas no funcionamento interno da organização.