O Presidente João Lourenço visitou esta quarta-feira as obras do Memorial às Vítimas dos Conflitos Políticos e do Panteão Nacional, na Praia do Bispo, em Luanda, num gesto que volta a colocar no centro do debate a forma como Angola enfrenta as marcas do seu passado político.
Acompanhado por ministros e responsáveis do GOE Gabinete de Obras Especiais, o Chefe de Estado percorreu as áreas em construção enquanto recebia informações técnicas sobre o andamento do projecto.


O Executivo considera a infra-estrutura um símbolo de homenagem e unidade nacional, mas cresce o questionamento sobre se monumentos são suficientes para curar feridas históricas ainda abertas.
Localizado junto ao Memorial Dr. António Agostinho Neto e ao Pavilhão Protocolar, o novo espaço pretende preservar a memória das vítimas dos conflitos políticos que marcaram várias gerações de angolanos.

Em diferentes discursos oficiais, o Governo tem defendido que “o país vive em paz desde 2002”, porém sectores da sociedade civil insistem que a verdadeira reconciliação exige mais do que obras públicas exige esclarecimento histórico, reconhecimento moral e inclusão das famílias afectadas nos processos de memória nacional.
A visita presidencial mostra que o Executivo pretende acelerar um projecto carregado de simbolismo político e histórico.
Ainda assim, o debate continua intenso entre aqueles que vêem o memorial como um passo importante para consolidar a paz e os que acreditam que Angola ainda precisa enfrentar de forma mais transparente episódios traumáticos do passado.

