Passados doze meses desde o crime que abalou a cidade do Lubango e a comunidade católica, o assassinato dos seminaristas José Filipe Cacoco Diliqui e David Sandambongo Lundemba, ambos de 25 anos, continua envolto em incertezas e sem esclarecimento definitivo por parte das autoridades.
Os dois jovens, colegas de formação no curso de Teologia do Seminário Maior do Jau, foram mortos na noite de 7 de Fevereiro do ano passado, no bairro Calumbiro, nos arredores da capital da província da Huíla. Os corpos foram encontrados a poucos metros da residência da irmã de uma das vítimas, circunstância que aumentou a comoção social e religiosa na época.



Investigação ainda sem conclusões
Dias após o crime, o Departamento de Investigação de Ilícitos Penais (DIIP) apresentou, em conferência de imprensa realizada no Comando Provincial da Polícia Nacional na Huíla, um sacerdote como um dos suspeitos do duplo homicídio. No entanto, desde então, não houve divulgação pública de conclusões definitivas sobre o caso.
De acordo com apurações feitas por órgãos de comunicação social do grupo Media Nova, o processo já foi remetido ao Ministério Público junto do Tribunal da Comarca do Lubango, mas permanece em fase de investigação.
Famílias pedem justiça
Um ano depois, a dor permanece viva entre familiares e amigos, que continuam à espera de respostas das entidades competentes. A situação ganha ainda mais simbolismo com o início, no município de Chicomba, da tradicional cerimónia de tira-luto — ritual cultural que encerra o período de luto entre os Ovimbundu.
Em declarações à imprensa, os irmãos Diliqui apelaram à intervenção das autoridades para o esclarecimento do crime e responsabilização dos autores.
A ausência de conclusões mantém o caso como um dos mais marcantes e sensíveis registados recentemente na província, deixando uma comunidade inteira à espera de justiça.

