Luanda — O Presidente da República, João Lourenço, reconheceu publicamente, esta quinta-feira em Luanda, que a recém-nomeada responsável da Inspecção-Geral da Administração do Estado (IGAE/IGAI) não dispõe da experiência habitualmente exigida para o cargo. Apesar disso, o Chefe de Estado manifestou plena confiança no desempenho da governante, garantindo que tudo fará para que esta corresponda às expectativas depositadas na sua nomeação.
Numa declaração que rapidamente se tornou um dos momentos mais comentados do dia político angolano, João Lourenço foi taxativo:
“Reconheço que ela não tem a experiência que normalmente se exige para um cargo desta natureza, mas tenho a convicção de que será bem-sucedida.”
O Presidente reforçou ainda a aposta pessoal na escolha realizada, sublinhando:
“Fui eu próprio quem a nomeou e assumo essa responsabilidade. Acredito no seu potencial e no seu compromisso com o Estado.”
Uma nomeação sob escrutínio público
A admissão presidencial surge num contexto em que a escolha tem gerado intenso debate na opinião pública e nos círculos políticos angolanos, sobretudo porque o IGAI é considerado um dos órgãos mais sensíveis no combate à corrupção, à má gestão e ao desvio de recursos públicos no país.
Analistas ouvidos por diversos órgãos de comunicação social têm questionado o critério da nomeação, alertando que a liderança de uma instituição estratégica como esta exige maturidade institucional, conhecimento profundo da máquina administrativa e capacidade de enfrentar resistências internas.
Confiança presidencial e aposta política


Ainda assim, João Lourenço deixou claro que não recuará na decisão. Para o Chefe de Estado, a juventude e a falta de experiência podem ser compensadas pela integridade, dedicação e abertura ao aprendizado — atributos que, segundo afirmou, encontrou na nomeada.
“Prefiro apostar em quem tem vontade de servir e coragem para mudar, do que em quem se acomoda à experiência do passado.”
A declaração é vista por observadores políticos como uma tentativa de reforçar a narrativa de renovação dos quadros do Executivo, marca que o Presidente tem procurado imprimir ao seu segundo mandato.

O que está em jogo
O IGAI desempenha um papel fulcral na fiscalização da administração pública angolana, sendo responsável por auditar, inspeccionar e propor medidas correctivas em órgãos do Estado. O sucesso ou insucesso da nova líder terá, por isso, impacto directo na credibilidade das reformas anunciadas pelo Governo no domínio da governação e da transparência.
Resta agora aguardar pelos primeiros passos da nova responsável — e verificar se a aposta presidencial se traduzirá, de facto, em resultados concretos para os angolanos.

