O governo da África do Sul rejeitou esta quarta-feira as acusações de xenofobia relacionadas com os recentes protestos contra imigrantes indocumentados, defendendo que o fenómeno migratório em África está ligado a problemas estruturais vividos em vários países do continente.
A reacção surge numa altura em que manifestações contra estrangeiros se multiplicam em diferentes cidades sul-africanas, provocando preocupação diplomática em países como Nigéria e Gana.



O porta-voz presidencial sul-africano, Vincent Magwenya, afirmou que os cidadãos do país não podem ser classificados como xenófobos, sustentando que os protestos fazem parte do direito constitucional à manifestação.
Nas últimas semanas, grupos de manifestantes têm saído às ruas para exigir medidas mais rígidas contra imigrantes sem documentação legal, sobretudo aqueles envolvidos em pequenos negócios informais.
Em algumas localidades, os protestos também se estenderam ao acesso de estrangeiros aos serviços públicos de saúde, com manifestantes a defenderem maior controlo nos hospitais e clínicas públicas.

Novas manifestações foram registadas esta quarta-feira em Durban e noutras cidades sul-africanas, aumentando a pressão sobre o governo de Cyril Ramaphosa.
Segundo Vincent Magwenya, a crise migratória que afecta vários países africanos está associada a factores como conflitos armados, instabilidade política e má governação, levando milhares de pessoas a procurar refúgio noutros territórios do continente.
O responsável revelou ainda que o tema foi discutido recentemente entre Cyril Ramaphosa e o Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, durante conversações centradas na necessidade de respostas conjuntas para o fenómeno migratório em África.


Entretanto, a Nigéria anunciou voos especiais para repatriar cidadãos residentes na África do Sul e acusou Pretória de não estar a agir de forma suficiente perante alegados episódios de ameaças e intimidação contra estrangeiros.
Já o governo do Gana convocou o embaixador sul-africano no final de Abril, na sequência de incidentes classificados pelas autoridades ganesas como actos de carácter xenófobo.

