A 10.ª Comissão de Trabalho Especializada da Assembleia Nacional concluiu, esta quarta-feira, que o Parque Nacional da Quiçama continua a operar abaixo das necessidades reais, numa altura em que crescem as exigências de fiscalização e protecção ambiental numa das mais emblemáticas reservas de Angola.

Durante a visita de constatação, os deputados avaliaram o funcionamento da área protegida e destacaram como principal preocupação a escassez de meios financeiros, humanos e operacionais para garantir uma gestão eficaz do parque.
A delegação, chefiada pelo presidente da comissão, deputado Vigílio Tyova, reconheceu os esforços do Executivo no reforço dos guardas florestais, mas advertiu que a dimensão da Quiçama exige uma resposta muito mais robusta para travar a caça furtiva e conter tentativas de ocupação ilegal de terras.

A avaliação parlamentar reforça a ideia de que a preservação da biodiversidade nacional continua condicionada por limitações estruturais, apesar dos avanços registados nos últimos anos.
Já o director-geral do Instituto Nacional da Biodiversidade e Áreas de Conservação, Miguel Xavier, sublinhou que o parque conta actualmente com cerca de 90 efectivos, número insuficiente para uma área com mais de um milhão de hectares, defendendo a necessidade de entre 250 e 300 agentes para uma fiscalização eficaz.
A constatação dá novo peso ao debate sobre o investimento na conservação ambiental, num espaço que alberga espécies emblemáticas como elefantes, girafas, kudus, gungas, gulungos e o raro manatim-africano.

