Angola pode assumir um papel de destaque nas exportações de bens e serviços no continente e tornar-se um importante fornecedor de transporte para os países vizinhos, segundo a directora da Comissão Económica das Nações Unidas para África (UNECA), Bineswaree Aruna Bolaky.
A avaliação foi feita, em Luanda, durante o workshop de validação da Estratégia Nacional e do Plano de Acção para a implementação da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA), onde a responsável apontou o volume de 2,3 biliões de dólares em exportações angolanas para África como um sinal encorajador da capacidade do país de ganhar maior peso no comércio regional.


Mais do que um reconhecimento diplomático, a leitura da UNECA coloca Angola diante de uma oportunidade estratégica transformar a sua posição geográfica, os seus corredores logísticos e a sua capacidade produtiva num motor de integração económica regional.
Bineswaree Bolaky defendeu que o país precisa de diversificar a economia, aumentar a manufacturação e criar serviços de valor acrescentado, para que a ZCLCA deixe de ser apenas um acordo comercial e se converta numa plataforma real de industrialização, geração de emprego e expansão do investimento africano.

Durante a intervenção, a responsável alertou ainda para o impacto das crises políticas globais e das rupturas nas cadeias de valor, defendendo um reforço do comércio intra-africano como forma de reduzir a dependência externa.
“A ZCLCA é muito mais do que reduzir a dependência exterior”, afirmou, ao sustentar que o acordo pode ajudar os países africanos a industrializar as suas economias, fortalecer as cadeias de valor e criar novas oportunidades de negócio.
O workshop, promovido pelo Ministério da Indústria e Comércio em parceria com a UNECA, reúne representantes de instituições públicas, sector privado e academia para discutir os desafios e as oportunidades de Angola neste novo quadro comercial continental.

