Luanda – Numa altura em que o MPLA atravessa um dos momentos de maior efervescência política interna dos últimos anos, com o surgimento de várias pré-candidaturas à liderança do partido, António Venâncio voltou a defender uma maior abertura democrática e apelou aos militantes para assumirem um papel ativo no futuro da organização.
Numa mensagem dirigida “a todos os militantes do MPLA, em cada província, município, comuna, bairro, aldeia e comité da Nação”, Venâncio afirma que o partido foi fundado sobre princípios de liberdade, participação e inclusão, valores que, na sua opinião, devem continuar a orientar a vida interna da organização.
“O MPLA nasceu da coragem de homens e mulheres que acreditaram que nenhum angolano deveria ser impedido de participar na construção do destino da sua própria pátria.”
Segundo o político, preservar esse legado implica garantir que todos os militantes tenham voz e oportunidades iguais para disputar cargos de direção.

“Hoje somos chamados a reafirmar o nosso compromisso com a democracia, a participação dos militantes e a igualdade de oportunidades entre todos aqueles que legitimamente aspiram servir o partido em cargos de liderança.”
Um recado em plena disputa interna
Embora não faça referências diretas a qualquer dirigente, a mensagem é divulgada num contexto marcado pelo debate em torno da sucessão na liderança do MPLA e pela emergência de múltiplas candidaturas ao cargo de presidente do partido.
Nos últimos meses, além de António Venâncio, também Higino Carneiro manifestou a intenção de concorrer à presidência do MPLA, enquanto outras figuras ligadas ao partido têm defendido um processo interno mais aberto e competitivo.
Venâncio tem sido um dos principais rostos dessa corrente, sustentando que a existência de várias candidaturas representa um sinal de maturidade política e não uma ameaça à unidade partidária.
“Sem democracia interna, o partido pode sucumbir”
Na mensagem, António Venâncio alerta ainda para os riscos de um partido fechado ao debate interno, afirmando que o MPLA deve evitar cair na inércia.
“Devemos continuar a construir um futuro melhor para o nosso glorioso MPLA, sem permitir que ele sucumba perante a inércia ou por falta de democracia interna.”
O engenheiro considera que o fortalecimento da democracia interna é uma condição essencial para manter o partido próximo dos militantes e preparado para responder aos desafios políticos do país.
Liberdade para pensar diferente
Outro dos pontos centrais da sua intervenção é o apelo para que os militantes expressem livremente as suas opiniões, sem receios de represálias.


“Nenhum militante deve ter receio de expressar as suas convicções.”
A declaração surge numa fase em que vários membros do MPLA têm defendido publicamente uma maior abertura ao debate político interno, rompendo com a tradição de candidaturas únicas que marcou a história recente do partido.
Debate sobre o futuro do MPLA ganha intensidade
A poucos meses dos próximos passos do processo congressual, cresce o número de vozes que defendem eleições internas mais participativas e competitivas.

Neste contexto, a nova mensagem de António Venâncio é vista como mais um sinal de que o debate sobre a democratização interna do MPLA está longe de terminar. Ao colocar a participação dos militantes no centro da discussão, o político procura reforçar a ideia de que o futuro do partido deve ser decidido pela vontade da sua base e não apenas pelas estruturas dirigentes.

