O escritor angolano Sousa Jamba protagonizou, na quarta-feira, 10 de Junho, uma das mais concorridas edições do “Maka à Quarta-Feira”, iniciativa da União dos Escritores Angolanos (UEA), reunindo uma sala repleta de leitores, académicos, estudantes e admiradores da sua obra para uma reflexão sobre literatura, identidade e memória cultural angolana.
O encontro marcou a primeira participação do autor num debate promovido pela UEA, depois de meses de especulações sobre um alegado impedimento da sua presença na instituição. Questionado sobre a polémica, Sousa Jamba garantiu que o assunto está ultrapassado.
“A situação está completamente resolvida. Houve um certo motivo em termos de comunicação que foi superado. Trabalhando com o secretário-geral Lopito Feijó, superámos isso”, afirmou.
Visivelmente emocionado com a recepção do público, o escritor destacou o simbolismo do momento.
“Foi uma honra, eu, Sousa Jamba, pela primeira vez ter um diálogo com os meus leitores aqui na União dos Escritores Angolanos, numa casa cheia. Isso dá-me muito orgulho.”
Filho da diáspora angolana, com passagens pela Zâmbia, Reino Unido e Estados Unidos, Sousa Jamba considerou particularmente marcante o contacto com os leitores no país onde nasceu.
“Sou filho da diáspora angolana. Vir aqui e encontrar a casa cheia é uma coisa que me inspira muito.”
Durante a conversa, o autor explicou que a sua obra procura valorizar a cultura e a identidade angolanas.
“Essa obra é uma celebração da nossa herança. A minha mãe disse-me para escrever sobre Angola de uma forma que celebrasse a nossa cultura e os nossos conhecimentos.”
Segundo o escritor, essa visão ganhou profundidade após vários anos vividos numa aldeia do Planalto Central, experiência que lhe permitiu compreender melhor a realidade das comunidades angolanas e transformá-la em criação literária.
Um dos momentos mais marcantes do encontro ocorreu quando Sousa Jamba falou sobre a juventude e os hábitos de leitura em Angola, contrariando percepções frequentemente difundidas no exterior.


“As pessoas dizem que os angolanos não leem. Estou cada vez mais surpreendido pela capacidade e qualidade de leitura que encontro aqui. Há bons leitores em Angola e isso inspira-me. Dá-me muito orgulho ser angolano.”
Por sua vez, o secretário-geral da UEA, Lopito Feijó, destacou a importância da presença do escritor na instituição.
“Ele sempre manifestou a vontade de vir à União dos Escritores Angolanos e nós não poderíamos perder a oportunidade de colocá-lo diante de uma franja de leitores muito grande que o acompanha.”
Lopito Feijó classificou o encontro como um sucesso, marcado pela interação entre o autor e o público.


“Foi um momento muito preenchido, com boa interação, de bom humor e de grande partilha de ideias entre o autor e os seus leitores.”
A sessão do “Maka à Quarta-Feira” confirmou a relevância da obra de Sousa Jamba e evidenciou a vitalidade do público leitor angolano, transformando o encontro numa celebração da literatura, da identidade nacional e da ligação entre escritores e leitores.

