O militante do MPLA, José Carlos de Almeida, anunciou que vai apresentar uma reclamação formal à Subcomissão de Candidaturas do IX Congresso Ordinário do partido, contestando alegadas irregularidades na candidatura de João Lourenço.
A iniciativa surge num momento em que se multiplicam as críticas internas ao processo eleitoral que antecede a escolha da futura liderança do partido.
Numa publicação nas redes sociais, José Carlos de Almeida afirmou estar a concluir um documento para denunciar aquilo que considera serem falhas no processo. “Tenho de terminar a reclamação sobre as diversas irregularidades da candidatura do meu oponente João Lourenço. Não devemos aceitar batotas pré-eleitorais”, escreveu.


O militante acrescentou ainda que pretende entregar a exposição à Subcomissão de Candidaturas. “Amanhã, de manhã, vou à sede do MPLA entregar a reclamação à Subcomissão de Candidaturas”, declarou.
Paralelamente, o pré-candidato revelou estar a mobilizar apoios para formalizar a sua candidatura, agradecendo aos militantes e jovens que participam na recolha de assinaturas em várias províncias do país.
“Agradeço a todos os que me têm apoiado para a recolha de assinaturas”, escreveu, destacando manifestações de apoio provenientes do Huambo, Namibe, Lunda-Sul, Lunda Norte, Zaire e Malanje.
Demonstrando confiança no desfecho do processo, José Carlos de Almeida afirmou que “vou vencer as eleições no Congresso de Dezembro” e acrescentou que “muitos militantes já não querem o camarada João Lourenço na Presidência do MPLA”.
As declarações juntam-se às críticas já apresentadas por outros concorrentes. O pré-candidato Francisco Higino Carneiro submeteu um recurso hierárquico à Comissão Nacional Preparatória do IX Congresso Ordinário, alegando irregularidades na validação de subscrições e defendendo uma auditoria independente ao processo.


Por sua vez, António Venâncio acusou a Subcomissão de Candidaturas de criar constrangimentos aos concorrentes, enquanto Valdir Cônego questionou a validação antecipada da candidatura de João Lourenço, alegando desrespeito pelo calendário eleitoral divulgado pelo partido.
Face às reclamações, a Comissão Nacional Preparatória do IX Congresso Ordinário reafirmou a legalidade dos procedimentos em curso. Num comunicado, o órgão esclareceu que o MPLA “rege-se pelos Estatutos aprovados no VIII Congresso Extraordinário” e sustentou que os actuais órgãos partidários mantêm competência para conduzir o processo eleitoral até à eleição dos novos dirigentes.
Apesar da garantia dada pela direcção do partido, as contestações continuam a marcar a corrida à liderança do MPLA, a poucos meses do congresso agendado para dezembro de 2026.

