Um investimento de cerca de um milhão de euros da União Europeia está a produzir resultados concretos na agricultura angolana.
Em apenas quatro anos, o projecto RE-FARM elevou de 6% para 35% a produtividade do milho em comunidades rurais das províncias de Benguela e Cuanza-Sul, demonstrando como o investimento em conhecimento, inovação e capacitação pode aumentar a produção de alimentos e fortalecer a segurança alimentar do país.

Durante a apresentação dos resultados do programa, a embaixadora da União Europeia em Angola, Rosário Pais, explicou que a iniciativa envolveu mais de 120 agricultores e permitiu testar soluções adaptadas às realidades locais.
Segundo a diplomata, o projecto “consolidou a cooperação entre agricultores, técnicos do IDA, universidades e centros de investigação, promovendo soluções agrícolas mais resilientes às alterações climáticas”.
Rosário Pais destacou ainda que, além do aumento da produtividade, o RE-FARM contribuiu para a redução de pragas e para a melhoria da fertilidade dos solos, factores essenciais para garantir colheitas mais estáveis e sustentáveis.


O verdadeiro significado deste investimento vai além dos números da produção agrícola. O projecto mostra que a segurança alimentar não depende apenas de mais terras cultivadas, mas também da capacidade de produzir mais com os recursos disponíveis, através da ciência e da inovação.
Num país que ainda enfrenta desafios ligados à importação de alimentos e à vulnerabilidade das comunidades rurais, modelos como o RE-FARM surgem como exemplos de como o investimento estratégico pode aumentar a produção nacional, gerar rendimentos para as famílias agricultoras e reduzir a dependência externa.
A aposta da União Europeia ganha agora nova dimensão com o anúncio dos programas AgrInvest, avaliado em 50 milhões de euros, e PROSPERA, de 43 milhões de euros, que deverão ampliar os ganhos alcançados no campo e consolidar a transformação do sector agrícola angolano.
Mais do que um projecto agrícola, a iniciativa constitui um exemplo de como investimentos estratégicos podem fortalecer a agricultura familiar, aumentar os rendimentos das comunidades rurais e criar bases para uma economia mais diversificada e resiliente face às alterações climáticas e aos desafios do desenvolvimento sustentável.

