A corrida ao IX Congresso Ordinário do MPLA conheceu um novo desenvolvimento com a apresentação de um pedido formal de impugnação da candidatura de João Lourenço.
A reclamação foi submetida pelo mandatário de Higino Carneiro junto da Subcomissão de Candidaturas e, posteriormente, à Comissão Nacional de Candidaturas.
Entre os fundamentos apresentados, o político alega que dirigentes partidários em várias províncias receberam “ordens superiores” para não validarem manifestações de apoio à sua candidatura, comprometendo, segundo defende, a igualdade de condições no processo interno.

No documento, Carneiro questiona ainda a existência de obstáculos administrativos ligados ao processo de quotização dos militantes e critica as marchas de apoio ao actual líder do partido. O candidato considera que estas iniciativas representam um atropelo ás normas.
“Existe um grave atropelo às normas que regem o processo eleitoral interno” afirmou Higino Carneiro.
A candidatura solicitou igualmente uma auditoria independente aos ficheiros entregues por João Lourenço, sustentando que existem elementos que justificam uma verificação rigorosa do processo.
Fontes ligadas ao processo indicam que, caso a reclamação não seja acolhida, o assunto poderá seguir para o Tribunal Constitucional.

Do outro lado, a direcção do MPLA tem sustentado que os órgãos em funções mantêm plena legitimidade para conduzir o processo preparatório do congresso e que o apoio manifestado por estruturas partidárias não viola os estatutos da organização.
Em pronunciamentos recentes, a Comissão Nacional Preparatória do congresso reafirmou que os processos internos decorrem dentro das normas estabelecidas e que os órgãos actuais conservam as suas competências até à eleição dos novos dirigentes, afastando assim as acusações de irregularidades levantadas por sectores críticos.
O episódio revela, contudo, que a disputa interna entrou numa fase mais sensível, colocando em debate questões de transparência, participação e legitimidade.
Mais do que uma contestação individual, o caso poderá influenciar a percepção dos militantes sobre a forma como está a ser conduzida a sucessão e a renovação das lideranças no maior partido angolano.

