O surto de Ébola na República Democrática do Congo está a colocar em causa a realização presencial da assembleia ordinária de líderes do Fórum Parlamentar da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos, prevista para julho, em Kinshasa.

A possibilidade de adiamento ou de realização do encontro por videoconferência dominou uma reunião virtual entre o presidente da Assembleia Nacional, Adão de Almeida, e o secretário-geral do fórum, Deo Osmund Mwapinga.
Durante o encontro, Mwapinga revelou que vários Estados-membros manifestaram preocupações com as deslocações para Kinshasa devido aos riscos sanitários associados ao surto.
Segundo o responsável, alguns países defendem o adiamento da reunião ou a sua realização em formato virtual.
“A situação é incerta e, na minha opinião, devíamos considerar o adiamento da reunião presencial”, afirmou o secretário-geral, alertando ainda para o reduzido número de confirmações de presença, o que poderá comprometer o quórum exigido pelo regulamento do fórum.

Adão de Almeida foi igualmente informado de que a presidência do Senado da RDC deverá anunciar nos próximos dias uma posição definitiva sobre o formato do encontro, após novas consultas com os países membros.
Entre os temas previstos para discussão constam a situação financeira do organismo, bem como questões relacionadas com a segurança sanitária e a logística do evento.
O real significado desta situação vai além de uma simples alteração de agenda. O debate evidencia como crises sanitárias continuam a influenciar decisões políticas e diplomáticas na região dos Grandes Lagos.
A eventual passagem para um formato virtual demonstra a prioridade dada à protecção da saúde pública, mas também revela os desafios que os organismos regionais enfrentam para manter a cooperação e o diálogo político em períodos de emergência sanitária.

