A venda livre de supostas “talas milagrosas” e a proliferação dos chamados “banhos tradicionais”, associados a promessas de invisibilidade e proteção sobrenatural, estão a preocupar as entidades religiosas angolanas.
Durante uma audiência com a Comissão de Cultura, Assuntos Religiosos, Comunicação Social, Juventude e Desportos da Assembleia Nacional, o Conselho das Igrejas de Reavivamento de Angola (JUCIRA) pediu medidas urgentes para travar práticas que, segundo afirma, têm causado mortes e incentivado comportamentos criminosos.
Na ocasião, o organismo religioso denunciou a comercialização destes produtos “a céu aberto” e defendeu a sua criminalização.

O JUCIRA alertou que as chamadas talas “têm ceifado muitas vidas” e manifestou igualmente preocupação com os “banhos tradicionais”, que prometem invisibilidade e estariam a contribuir para o aumento da delinquência, sobretudo entre os jovens.
A organização chamou ainda a atenção para as dificuldades enfrentadas pela juventude no acesso ao emprego, habitação e financiamento para iniciativas empreendedoras.
A audiência contou também com a participação da Igreja Evangélica Pentecostal Maranata, que apresentou o seu plano de actividades para 2026, incluindo a realização da IV edição do Simpósio Teológico “Fé e Ciência”, a construção de uma cozinha solidária e as celebrações dos 30 anos da sua presença em Angola.


Os deputados comprometeram-se a apoiar os projectos sociais promovidos pela igreja junto das comunidades.
O significado desta posição vai além da esfera religiosa. O alerta das igrejas expõe a crescente preocupação com práticas que colocam vidas em risco e exploram a vulnerabilidade de milhares de cidadãos.
Ao defender a criminalização destes fenómenos, as entidades religiosas procuram pressionar as autoridades a reforçarem a fiscalização, protegerem a saúde pública e combaterem crenças que, em alguns casos, podem servir de incentivo à criminalidade e à desinformação.

