A poucos meses do IX Congresso Ordinário do MPLA, a direcção do partido reforçou a sua posição de unidade em torno do actual presidente, João Lourenço, sublinhando que os órgãos e estruturas em funções têm plena legitimidade para manifestar apoio político à liderança sem infringir os estatutos internos.
A mensagem surge numa altura em que o debate sobre a sucessão interna ganha intensidade e aumenta a atenção sobre o futuro da maior força política do país.

Em resposta às contestações apresentadas pelo militante Higino Carneiro, a Comissão Nacional Preparatória do congresso, coordenada por Mara Quiosa, esclareceu que “os processos eleitorais internos são dirigidos pelos órgãos em funções” e que não existe qualquer impedimento legal ou estatutário para que os actuais dirigentes permaneçam nos seus cargos até à eleição dos novos órgãos.
O comunicado acrescenta que os órgãos de direcção conservam “a plenitude das suas atribuições e competências” até à realização do congresso.
O documento revela ainda que, até ao momento, apenas João Lourenço formalizou a sua candidatura à presidência do partido.

Segundo a comissão, o exercício normal das funções partidárias não deve ser confundido com favorecimento de candidatos, sobretudo quando outros potenciais concorrentes ainda não concluíram os procedimentos formais exigidos para entrar na disputa.
Mais do que uma resposta técnica, a posição do MPLA procura transmitir estabilidade e controlo institucional num momento decisivo para o partido.
O real significado desta tomada de posição é o reforço da legitimidade da actual liderança e a tentativa de afastar qualquer percepção de crise interna antes do IX Congresso, projectando uma imagem de coesão política e continuidade estratégica numa fase determinante para a definição dos próximos rumos da organização.

