A província do Zaire voltou a apostar na produção de caju com a distribuição de cerca de oito mil mudas às associações e cooperativas agrícolas dos municípios do litoral, numa tentativa de recuperar uma cultura que marcou a economia local nas décadas de 70 e 80.

O projecto, promovido pelo Governo Provincial em parceria com a empresa Seatag, pretende relançar a cajucultura nos municípios do Soyo, Quêlo, Nzeto e Tomboco, numa altura em que cresce a pressão para reduzir a dependência alimentar e económica do país.
Segundo o director provincial da Agricultura, Gouveia da Silva Pedro, cinco mil mudas já foram distribuídas às cooperativas agrícolas, enquanto outras duas mil serão entregues a empresas do sector para multiplicação.


O responsável afirma que o objectivo passa pela diversificação da produção agrícola e aumento das exportações, defendendo que o Zaire possui condições naturais favoráveis para várias culturas, incluindo café e cacau.
O relançamento do caju pode reacender debates sobre o abandono histórico da agricultura angolana e a falta de investimentos consistentes no campo durante décadas.
Apesar do entusiasmo das autoridades, especialistas alertam que distribuir mudas não será suficiente sem estradas, financiamento agrícola, assistência técnica e políticas duradouras para os produtores rurais.

A província conta actualmente com 98 associações e 277 cooperativas agrícolas, mas apenas 59 estão legalizadas, realidade que evidencia as dificuldades estruturais enfrentadas pelo sector agrícola angolano.
O relançamento da produção de caju surge, assim, como mais um teste à capacidade do país transformar potencial agrícola em desenvolvimento económico real e sustentável.

