A Comissão para Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas de Conflitos Políticos (CIVICOP) apelou às famílias das vítimas para comparecerem no Laboratório Central de Criminalística, no Kilamba, para a recolha de amostras biológicas destinadas aos testes de ADN.

O objectivo é identificar restos mortais encontrados numa vala comum no Cemitério do 14, numa tentativa de devolver identidade a pessoas desaparecidas há décadas.
Mais do que um procedimento científico, os testes pode reacender o debate sobre o silêncio histórico em torno do 27 de Maio.
Muitas famílias passaram anos sem saber onde os seus parentes foram enterrados, enquanto outras nunca receberam qualquer confirmação oficial sobre a morte dos seus familiares.


Activistas e investigadores defendem que o processo de reconciliação continuará incompleto enquanto o Estado não esclarecer totalmente os acontecimentos ligados à repressão que se seguiu à alegada tentativa de golpe contra o Governo de Agostinho Neto.
“Há famílias que envelheceram à espera de respostas”, relatam organizações cívicas ligadas à memória histórica.
Para muitos cidadãos, identificar restos mortais não deve servir apenas para fechar processos administrativos, mas para permitir que Angola enfrente finalmente uma parte do passado que durante décadas foi marcada pelo medo, silêncio e ausência de respostas.

