Close Menu
Tv Livre AngolaTv Livre Angola
  • Inicio
  • Nacional
  • Internacional
  • Opinião
Realce

Marcha do MPLA no Sambizanga Reforça Apoio a João Lourenço em Meio à Disputa Interna

29 de Junho, 2026

Cuanza-Norte espera colher 800 toneladas de café este ano

29 de Junho, 2026

Deputados mudam de comissões após aprovação de nova movimentação parlamentar

29 de Junho, 2026
Mais Vistas

Estudos Apontam Défice de Aprendizagem como Travão ao Desenvolvimento de África

9 de Junho, 2026

Protesto contra centro de quarentena dos EUA no Quênia termina com dois mortos

3 de Junho, 2026

África do Sul deporta cerca de 600 moçambicanos após nova onda de violência xenófoba

1 de Junho, 2026

Inscrever-se para atualizações

Receba as últimas notícias com a TVLIVREANGOLA

Facebook X (Twitter) Instagram YouTube
Facebook X (Twitter) Instagram YouTube
Tv Livre AngolaTv Livre Angola
  • Inicio
  • Nacional
  • Internacional
  • Opinião
Inscrever-se
Tv Livre AngolaTv Livre Angola
Opiniao

A lei das carreiras militares: Entre a defesa do estado e o medo dos lobos

Herculano BumbaPor Herculano Bumba9 de Fevereiro, 2026Sem comentáriosMinutos de Leitura
Facebook Twitter Pinterest LinkedIn Tumblr Email WhatsApp
Facebook Twitter LinkedIn Pinterest Email Copy Link Telegram WhatsApp

Por: General Kamalata Numa

Há leis que nascem para organizar o Estado. E há leis que nascem para proteger homens cansados do próprio passado.

A Lei das Carreiras Militares, em qualquer país sério, é um instrumento estruturante: define hierarquias, garante previsibilidade, protege a instituição das oscilações políticas e assegura que as Forças Armadas sirvam o Estado — não os seus ocupantes temporários.
Nesse sentido, é necessária.
Indiscutivelmente necessária.

O problema começa quando a lei deixa de ser escudo institucional e passa a ser colete à prova do medo.

Quando é moldada não para fortalecer as FAA, mas para blindar carreiras pessoais, prolongar influências gastas e impedir que a história siga o seu curso natural. Aí, já não estamos diante de uma lei de Estado, mas de uma lei de sobrevivência.

Angola já viu este filme. E não foi em preto e branco.

Nos momentos de transição, quando o poder pressente a própria fragilidade, a Assembleia Nacional transforma-se num corredor de emergência.

Leis passam à pressa, estatutos especiais são empurrados como botes salva-vidas, e a retórica da “estabilidade” serve para disfarçar o pânico. Foi assim quando José Eduardo dos Santos se preparava para sair.

Tentou-se eternizar o intocável — mas, do mesmo lado, já estavam alinhados os lobos famintos, afiando os dentes para o banquete seguinte.

De que serviu o Estatuto Especial, se o apetite do poder nunca respeita certificados?

A história é cruel com quem acredita que a lei pode substituir a legitimidade. Ainda mais cruel com quem pensa que os lobos se tornam vegetarianos com o tempo.

Hoje, o padrão repete-se com ligeiras variações de discurso. A cada transição, surgem leis inconstitucionais, interpretações elásticas da Constituição e arranjos jurídicos criativos, sempre apresentados como “necessários para a estabilidade”. Estabilidade de quem? Do país ou do medo de quem governa?

O argumento é velho: “é para evitar o caos”. O resultado também: o caos apenas muda de dono.

Os lobos envelhecidos — cansados, inseguros, mas ainda perigosos — temem os lobos mais novos, mais esfomeados, mais impacientes.
Nenhum deles aprendeu o valor do diálogo verdadeiro. O diálogo, quando existe, é táctico: serve para enganar hoje e ganhar tempo até amanhã. Nunca foi um diálogo de reconciliação nacional, de escuta real ou de construção coletiva.

E os resultados estão à vista: transições traumáticas, ciclos de desconfiança, instituições fragilizadas e um país que anda sempre a salvar líderes, mas raramente se salva a si próprio; Viriato da Cruz/António Agostinho Neto; António Agostinho Neto/José Eduardo dos Santos; José Eduardo dos Santos/João Manuel Gonçalves Lourenço; João Manuel Gonçalves/…

A metáfora dos lobos não é gratuita. Lobos não protegem o rebanho. Lobos disputam território. E quando envelhecem, não se reformam — defendem o espaço com ainda mais ferocidade, porque sabem que já não correm como antes.

Se a despromoção de reformados for o preço para restaurar a credibilidade institucional, que se discuta abertamente. Se a revisão de carreiras for necessária para modernizar as FAA, que se faça com transparência, legalidade e respeito pela Constituição. Mas que não se venda medo como estratégia nacional.

O que Angola precisa não é de leis feitas sob medida para lobos assustados, nem de normas excepcionais para prolongar hegemonias em decomposição. Angola precisa de um pacto — um Pacto de Transição Política Responsável, inclusivo, honesto e assumido como compromisso histórico.

Um pacto que proteja o país, não apenas os seus dirigentes. Um pacto que leve Angola inteira no colo, com todos os seus filhos — civis e militares, jovens e velhos, vencedores e vencidos.
Um pacto que aceite que ninguém é eterno, mas o Estado deve ser.

A teimosia, essa velha companheira do poder angolano, já mostrou repetidas vezes onde conduz. Conduz à roptura. Conduz à desconfiança. Conduz ao trauma colectivo que depois se tenta curar com mais leis apressadas.

A história não cochicha. Ela grita.

Mas só os que não têm medo de escutar conseguem aprender.

E a pergunta que fica não é se esta lei protege ou não alguém.

A verdadeira pergunta é: estamos a legislar para o futuro de Angola ou para adiar o medo de hoje?

A história — como sempre — dará a resposta.

OBRIGADO!

Luanda, 06/02/2026

Share. Facebook Twitter Pinterest LinkedIn Tumblr Email WhatsApp

Notícias Relacionados

Novos partidos políticos são bem-vindos – Hitler Samussuku

20 de Fevereiro, 2026

A causa das Ex-FAPLA e das Ex-FALA é a mesma

19 de Fevereiro, 2026

A longa marcha para a paz na Ucránia encalhada em Genebra

19 de Fevereiro, 2026
Deixe seu comentário
Deixe seu comentário Cancelar resposta

Publicidade
Outras Notícias
Nacional

Marcha do MPLA no Sambizanga Reforça Apoio a João Lourenço em Meio à Disputa Interna

Por Paula Gomes29 de Junho, 2026
O MPLA mobilizou, este sábado, milhares de militantes e simpatizantes no município do Sambizanga, em…

Cuanza-Norte espera colher 800 toneladas de café este ano

29 de Junho, 2026

Deputados mudam de comissões após aprovação de nova movimentação parlamentar

29 de Junho, 2026

UNITA Condena Ataque a Francisco Teixeira e Exige Investigação Imediata

29 de Junho, 2026

Esteja sempre atualizado com as últimas notícias com a TVLIVREANGOLA

Email: ttvlivreangola@gmail.com
Contact: +244912345678

Mais Vistas

UNITA Condena Ataque a Francisco Teixeira e Exige Investigação Imediata

29 de Junho, 2026

Venâncio Defende Democracia Interna do MPLA

26 de Junho, 2026

Plenário rejeita debate de urgência sobre combustíveis e impacto do petróleo na economia

26 de Junho, 2026
Escolha do Editor

Árbitro Somali Recebido Como Herói Após Impedimento nos EUA para o Mundial 2026

11 de Junho, 2026

Protesto contra centro de quarentena dos EUA no Quênia termina com dois mortos

3 de Junho, 2026

EUA e Irã voltam a trocar ataques e aumentam risco de colapso do cessar-fogo no Golfo

1 de Junho, 2026

Type above and press Enter to search. Press Esc to cancel.