Os elevados índices de acidentes de viação em Angola não são um fenómeno recente e têm-se mantido como uma das principais causas de mortalidade não natural no país ao longo das últimas décadas. Dados da Direcção de Trânsito e Segurança Rodoviária (DTSER) e da Polícia Nacional mostram que, ano após ano, os sinistros rodoviários continuam a provocar perdas humanas significativas, sobretudo nas zonas urbanas e periurbanas.


Desde o período pós-guerra, com o aumento progressivo da circulação automóvel e a expansão desordenada das cidades, particularmente Luanda, os acidentes de viação passaram a assumir proporções alarmantes. O crescimento do parque automóvel não foi acompanhado, na mesma medida, pela melhoria das infra-estruturas rodoviárias, educação cívica no trânsito e fiscalização eficaz.


Historicamente, as principais causas apontadas pelas autoridades incluem excesso de velocidade, condução sob efeito de álcool, desrespeito pelas regras de prioridade, deficiente estado técnico das viaturas e fraca cultura de segurança rodoviária. Em vários balanços anteriores, a condução alcoolizada tem surgido de forma recorrente como o factor predominante nas detenções e nas ocorrências graves.


Ao longo dos anos, o Governo tem implementado campanhas de prevenção rodoviária, operações especiais de fiscalização e acções de sensibilização, sobretudo em períodos festivos. No entanto, os relatórios periódicos continuam a revelar números elevados de mortos e feridos, demonstrando que as medidas adoptadas ainda não produziram o impacto esperado.
O balanço mais recente, que aponta para 89 acidentes, 11 mortos e 141 feridos em apenas 72 horas, enquadra-se neste histórico persistente de sinistralidade rodoviária, confirmando que o problema permanece estrutural e exige respostas mais firmes e contínuas, tanto ao nível da fiscalização como da educação cívica dos condutores.

