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Religião

Debate sobre liberdade religiosa na Austrália esquenta após discurso do ex‑primeiro‑ministro Scott Morrison

Herculano BumbaPor Herculano Bumba30 de Janeiro, 2026Updated:31 de Janeiro, 2026Sem comentáriosMinutos de Leitura
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O ex‑primeiro‑ministro da Austrália, Scott Morrison provocou um intenso debate sobre liberdade religiosa na Austrália após propor medidas de maior fiscalização de instituições islâmicas e registro nacional de imãs, em discurso proferido nesta semana. A declaração ocorre em um contexto de crescente preocupação com segurança, após ataques terroristas isolados no país, mas gerou críticas por suposta discriminação religiosa.

O discurso de Morrison, publicado em plataformas oficiais e repercutido por veículos internacionais, sugere que o governo deveria monitorar mais de perto mesquitas e líderes religiosos, argumentando que tais medidas poderiam prevenir radicalização e atos violentos. Para o ex-primeiro-ministro, a ação visa proteger a sociedade e garantir que a religião não seja utilizada como justificativa para crimes.

Falando sobre a proposta em um discurso no exterior, Morrison defendeu que a Austrália precisa fortalecer a responsabilidade dentro de comunidades religiosas após o ataque terrorista em Bondi, em dezembro de 2025, e afirmou que medidas mais rígidas ajudariam a combater a radicalização. Em The Australian, ele escreveu que:

“é hora de padrões nacionais consistentes: acreditação reconhecida para imãs, um registro nacional para papéis religiosos públicos, requisitos claros de formação e autoridade disciplinar aplicável”

Scott Morrison

Reação de líderes muçulmanos e ANIC

A proposta recebeu críticas contundentes de líderes islâmicos e de organizações de direitos civis. O Australian National Imams Council (ANIC) — que representa mais de 300 imãs em todo o país — classificou as ideias de Morrison como “reconhecidamente irresponsáveis, profundamente mal informadas e perigosas”, destacando que já existem traduções amplamente utilizadas dos ensinamentos islâmicos que são acessíveis em inglês e que não há razão para vincular a prática religiosa a exigências estatais desse tipo.

O ANIC ressaltou que as autoridades policiais foram claras em afirmar que os ataques terroristas citados por Morrison não foram dirigidos, organizados ou endossados por qualquer comunidade religiosa e que sugerir que a comunidade muçulmana como um todo deva ser responsabilizada apenas por causa de indivíduos ou grupos isolados é inaceitável e contraproducente para a coesão social.
Outros grupos religiosos e defensores de direitos civis também alertaram que ligar terrorismo ou extremismo a uma religião inteira pode reforçar estereótipos negativos, alimentar hostilidade social e reduzir a confiança entre comunidades.
Debate político e social

A resposta ao discurso de Morrison deixou clara a divisão política em torno da questão da segurança e das liberdades civis. Enquanto alguns políticos conservadores apoiaram a ideia de reforçar padrões de credenciamento para líderes religiosos, muitos parlamentares e especialistas em coesão social defenderam que políticas de segurança devem ser universais e não direcionadas a uma fé específica.

O episódio reacende um debate mais amplo sobre como países democráticos equilibram a luta contra o extremismo com a proteção das liberdades religiosas e os direitos de minorias, sendo uma questão cada vez mais presente em sociedades multiculturais como a da Austrália.

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