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Negócios

Ouro e prata entram em queda livre

Herculano BumbaPor Herculano Bumba3 de Fevereiro, 2026Sem comentáriosMinutos de Leitura
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Depois de semanas de valorização acelerada e recordes sucessivos, os mercados de ouro e prata entraram numa fase de correção intensa, com quedas acentuadas registadas no início desta semana. O movimento marca uma inversão clara da tendência que vinha dominando o sector desde o início do ano e surpreendeu investidores que apostavam na continuidade da alta.

Nesta segunda-feira (02), o ouro recuou cerca de 8%, sendo negociado em torno de US$ 4.465 por onça, enquanto a prata caiu aproximadamente 7%, aprofundando as perdas já registadas na sexta-feira, quando o metal chegou a perder quase um terço do seu valor. A correção interrompeu uma sequência de máximos históricos que, poucos dias antes, tinha levado o ouro a aproximar-se dos US$ 5.600 por onça e a prata a ultrapassar os US$ 120, níveis nunca antes vistos.

Nomeação para a Reserva Federal muda o humor dos mercados

Segundo dados analisados por agências financeiras internacionais, a viragem foi desencadeada por um fator político decisivo: o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que pretende indicar Kevin Warsh, antigo governador da Reserva Federal, para substituir Jerome Powell na liderança do banco central norte-americano.

Apesar de Trump ter afirmado que não exigiu compromissos prévios de cortes nas taxas de juro, o anúncio reduziu as expectativas de uma política monetária excessivamente expansionista. Esse sinal foi suficiente para desencadear uma reavaliação das posições de risco, sobretudo nos ativos que haviam beneficiado de um ambiente prolongado de juros baixos, como o ouro e a prata.

Compras especulativas aceleraram a queda

Analistas apontam que parte significativa da recente valorização foi impulsionada por compras especulativas, com especial destaque para o mercado chinês. Grandes volumes de capital foram injetados nos metais preciosos, empurrando os preços para níveis muito acima das médias históricas e criando um cenário propício a correções rápidas e profundas.

“O que estamos a assistir é essencialmente um desfazimento de posições extremamente concentradas”

Mohit Kumar, estratega da Jefferies.

Segundo o analista, o ouro estava entre os ativos mais sobrecomprados do mercado global, tornando a queda inevitável assim que o sentimento dos investidores mudou.

Impactos geopolíticos e reservas estratégicas

A forte alta registada antes da correção teve também implicações geopolíticas relevantes. Relatórios indicam que países com grandes reservas de ouro, como a Rússia, beneficiaram significativamente da valorização do metal. Ao contrário dos ativos soberanos congelados no Ocidente, as reservas de ouro permanecem líquidas e podem ser utilizadas como garantia financeira, reforçando a capacidade económica em contextos de sanções prolongadas.

Apesar da volatilidade recente, algumas instituições financeiras continuam otimistas quanto ao desempenho do ouro ao longo de 2025. Analistas do Deutsche Bank mantêm a previsão de que o metal possa atingir os 6.000 dólares por onça até ao final do ano, dependendo da evolução da inflação, das taxas de juro e das tensões geopolíticas globais.

Mesmo após a queda abrupta, 2025 permanece como um dos anos mais marcantes para o ouro, que caminha para o seu maior ganho anual desde 1979. Para os investidores, o episódio funciona como um lembrete claro de que períodos de euforia extrema tendem a ser seguidos por ajustes igualmente intensos, especialmente quando decisões políticas alteram rapidamente as expectativas económicas globais

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