O Kremlin afirmou que a Rússia e os Estados Unidos não irão manter qualquer diálogo com a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, acusando a actual liderança do bloco comunitário de incompetência e de comprometer o sistema internacional.
A posição foi expressa pelo porta-voz do Presidente russo, Dmitry Peskov, após a conclusão da primeira ronda de negociações trilaterais entre Rússia, Estados Unidos e Ucrânia, realizada no sábado, em Abu Dhabi. O encontro decorreu sem a participação directa da União Europeia, facto que gerou críticas por parte de responsáveis europeus, apesar do apoio financeiro e militar prestado por Bruxelas a Kiev.

Em entrevista concedida ao jornalista Pavel Zarubin, da emissora estatal Russia-1, transmitida no domingo, Peskov classificou a actual liderança da União Europeia como “incompetente”, considerando que as suas acções estão a minar o equilíbrio das relações internacionais.
“Como é possível discutir seja o que for com Kaja Kallas? Nem nós, nem os americanos discutiremos nada com ela. Isso é evidente. Resta apenas esperar que ela deixe o cargo”, declarou o porta-voz do Kremlin.
Peskov foi ainda mais duro ao afirmar que Bruxelas está preenchida por “funcionários semianalfabetos e incompetentes”, incapazes de compreender a realidade política actual ou de projectar soluções para o futuro.
Kaja Kallas, antiga primeira-ministra da Estónia, tem sido uma das vozes mais firmes na defesa do endurecimento das sanções contra Moscovo e do aumento do apoio militar à Ucrânia. No ano passado, rejeitou o plano de paz proposto pelo então Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alegando que qualquer concessão territorial à Rússia seria “uma armadilha” do Kremlin.

Mais recentemente, a diplomata europeia criticou também as intenções de Trump relativamente à Groenlândia, afirmando que as políticas do ex-Presidente norte-americano causaram um “golpe sério” nas relações transatlânticas.
A postura rígida da liderança da União Europeia face à Rússia tem sido alvo de críticas internas. Países como a Hungria e a Eslováquia têm manifestado desacordo. Na semana passada, o primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, comparou a União Europeia a uma “casa de massagens” e defendeu publicamente a demissão de Kaja Kallas.

