O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, negou em tribunal que o Instagram tenha sido projetado para viciar crianças ou prejudicar sua saúde mental, apesar da apresentação de documentos internos que sugerem o contrário. O depoimento ocorreu esta semana no Tribunal Federal de Los Angeles, na Califórnia, num caso que pode abrir caminho para milhares de processos semelhantes contra empresas de redes sociais.
A ação foi movida por uma jovem de 20 anos, identificada como “Kaley”, que afirma ter desenvolvido ansiedade, depressão e dismorfia corporal após se tornar viciada no Instagram, no YouTube e em outras plataformas ainda na pré-adolescência.
Documentos internos colocam defesa em dúvida
Durante o julgamento, Zuckerberg afirmou que a empresa não projetou o Instagram para incentivar o uso compulsivo nem para atingir crianças deliberadamente. No entanto, advogados da acusação apresentaram documentos internos que indicam que a Meta acompanhava o tempo médio de uso como um indicador-chave de sucesso.
Um slide interno de 2018 destacou que, para conquistar adolescentes, seria necessário alcançá-los ainda na pré-adolescência. Outro documento revelou que cerca de 30% das crianças entre 10 e 12 anos nos Estados Unidos já utilizavam a plataforma, apesar da proibição oficial para menores de 13 anos.


Zuckerberg afirmou não se lembrar do contexto de alguns desses documentos e reconheceu que impedir menores de mentir sobre a idade ao criar contas continua sendo um desafio técnico significativo.
Caso pode abrir precedentes legais globais
A Meta não é a única empresa envolvida. A controladora do YouTube, Alphabet, também é ré no processo. Já o TikTok e a Snap chegaram a acordos extrajudiciais com a autora.
Segundo informações do tribunal, cerca de 1.600 processos semelhantes estão pendentes nos Estados Unidos, movidos por famílias que associam problemas de saúde mental e, em alguns casos, suicídios de adolescentes ao uso intensivo das redes sociais.


Especialistas jurídicos afirmam que este julgamento poderá estabelecer um precedente importante sobre a responsabilidade das plataformas digitais na proteção de menores.
Pesquisas internas e impacto na saúde mental
Pesquisas conduzidas pela própria Meta indicaram que adolescentes que relatavam insatisfação com o próprio corpo eram mais frequentemente expostos a conteúdos relacionados a transtornos alimentares.
Recursos como filtros de beleza e algoritmos de recomendação estão entre os principais pontos de crítica, com especialistas alertando que esses mecanismos podem amplificar vulnerabilidades psicológicas em jovens usuários.


A Meta, por sua vez, sustenta que não há evidências conclusivas de que os recursos da plataforma causem diretamente problemas de saúde mental, atribuindo os desafios enfrentados pela autora a fatores pessoais anteriores ao uso das redes sociais.
Regulamentação global ganha força
O caso surge num contexto de crescente pressão internacional sobre empresas de tecnologia. Países europeus como França, Grécia e Espanha já anunciaram planos para restringir o acesso de menores às redes sociais e responsabilizar plataformas por conteúdos prejudiciais.
Autoridades defendem que as medidas são necessárias para proteger crianças e adolescentes dos riscos associados ao uso excessivo das redes digitais.
Futuro da indústria pode ser redefinido
O julgamento é acompanhado de perto por governos, especialistas e empresas de tecnologia, pois pode redefinir o nível de responsabilidade legal das plataformas digitais.

- Indenizações bilionárias
- Mudanças obrigatórias no design das plataformas
- Regulamentações mais rigorosas globalmente
- Novas regras para proteção de menores online
O resultado poderá marcar um ponto de viragem na forma como as redes sociais operam e são regulamentadas em todo o mundo.

