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Politica

Angola denuncia interferência externa no conflito do Sudão e alerta para riscos à segurança continental

Herculano BumbaPor Herculano Bumba18 de Fevereiro, 2026Sem comentáriosMinutos de Leitura
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Angola condenou de forma veemente todos os apoios externos, de natureza militar, financeira ou logística, que contribuem para a intensificação do conflito no Sudão, considerando que a instabilidade regional representa uma ameaça directa à paz e segurança do continente africano.

A posição foi expressa pelo ministro das Relações Exteriores, Téte António, durante a Reunião do Conselho de Paz e Segurança da União Africana (UA), realizada na capital etíope, Addis Abeba.

No seu discurso, o chefe da diplomacia angolana manifestou profunda preocupação com o agravamento da situação humanitária no Sudão, destacando que cerca de 21 milhões de pessoas necessitam de assistência urgente, com níveis críticos de insegurança alimentar, sobretudo na região do Darfur do Norte.

Téte António criticou igualmente o trânsito ilícito de armamento e a exploração ilegal de recursos naturais sudaneses, práticas que, segundo afirmou, enfraquecem a autoridade das instâncias continentais, comprometem a solidariedade africana e prejudicam a credibilidade colectiva do continente.

Neste contexto, Angola defendeu que a União Africana deve assumir plenamente a liderança política e coordenar os esforços de mediação, visando um cessar-fogo imediato e verificável, o acesso humanitário irrestrito e a implementação de um processo político inclusivo liderado pelos próprios sudaneses.

O governante angolano propôs ainda a revitalização do Comité Presidencial Ad-Hoc e o envio de uma missão de campo do Conselho de Paz e Segurança ao Sudão, com o objectivo de reforçar o engajamento político e avaliar a situação no terreno. Defendeu igualmente a operacionalização prioritária do Subcomité de Sanções, em coordenação com o CISSA e o AFRIPOL, para identificar e recomendar medidas contra os apoios às partes em conflito.

Situação na Somália também em análise

Na mesma reunião, Angola abordou a situação política na Somália, manifestando preocupação com a falta de consenso parlamentar sobre a revisão constitucional e alertando que eleições sem um acordo político abrangente, com o fim do mandato presidencial previsto para Maio de 2026, poderão gerar instabilidade institucional e comprometer o combate ao grupo Al-Shabaab.

O ministro reiterou a oposição angolana a qualquer tentativa de fragmentação territorial da Somália e reafirmou o apoio à soberania e unidade do país, além de destacar a importância da Missão da União Africana de Assistência e Estabilização na Somália (AUSSOM), defendendo melhores condições logísticas e operacionais para o cumprimento do seu mandato.

Téte António encorajou o reforço do diálogo político interno somali, com vista à conclusão da revisão constitucional e à realização de eleições previstas para Dezembro de 2026, e endereçou condolências às famílias dos militares e civis mortos em missão, reconhecendo o contributo dos países que integram a força.

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