O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, considerou esta quarta-feira, em Luanda, que 2026 deve ser encarado como o ano da responsabilidade democrática e da preparação serena de uma transição política segura, estável e constitucional.
O dirigente falava durante a cerimónia de cumprimentos de ano novo, realizada no Hotel Epic Sana, onde defendeu a necessidade de maturidade política, inclusão e reconciliação nacional como pilares para o futuro do país. Segundo o líder do maior partido da oposição, Angola não deve temer a alternância no poder, mas encará-la como um sinal de consolidação democrática.
Adalberto Costa Júnior sublinhou que a alternância política deve ocorrer sem comprometer a paz e defendeu instituições fortes, com forças armadas valorizadas pela competência profissional e jornalistas livres para exercer a sua missão informativa sem receios. O político destacou ainda a importância do papel das organizações não-governamentais e do diálogo institucional como expressão da cidadania activa.


O presidente da UNITA reiterou que o partido continuará a trabalhar no quadro da Frente Patriótica Unida, em articulação com diversos sectores da sociedade, para apresentar uma alternativa de governação baseada em reformas pró-sociedade e pró-mercado. Entre as propostas, destacou medidas para estimular a concorrência, combater monopólios e melhorar as condições de vida das famílias e empresas.
O líder da oposição defendeu igualmente a implementação das eleições autárquicas, considerando-as essenciais para aproximar os governantes dos cidadãos, reforçar a fiscalização pública e combater a corrupção, contribuindo para uma democracia participativa efectiva.
No domínio da reconciliação nacional, criticou a ausência de referências no Orçamento Geral do Estado para 2026 aos compromissos pendentes dos acordos de paz, incluindo a situação dos antigos combatentes e veteranos da pátria, apontando que a resolução desses dossiers é fundamental para a estabilidade e coesão nacionais.

Adalberto Costa Júnior afirmou ainda que, no período pré-eleitoral, é crucial evitar a instrumentalização das instituições do Estado para fins partidários, defendendo a preservação do espaço cívico e das liberdades fundamentais, bem como um ambiente político marcado pelo respeito e tolerância.
Na ocasião, voltou a apresentar a proposta de um “Pacto de Transição”, também designado “Pacto de Estabilidade”, que classificou como uma iniciativa patriótica destinada a garantir transparência eleitoral, reformas institucionais consensuais, neutralidade da administração pública, estabilidade económica e paz social no período eleitoral e pós-eleitoral.
A mensagem foi dirigida a representantes de partidos políticos, entidades religiosas, corpo diplomático e organizações da sociedade civil.

