Bispos dos Estados Unidos manifestaram condenação à publicação feita pelo ex-presidente Donald Trump em suas redes sociais, na qual os rostos do ex-presidente Barack Obama e da ex-primeira-dama Michelle Obama foram sobrepostos a macacos de desenho animado.
O post, divulgado em 5 de fevereiro na rede Truth Social, foi posteriormente removido por Trump, que afirmou não ter tido a intenção de veicular uma representação racista do casal e condenou a parte considerada ofensiva. Apesar disso, o ex-presidente se recusou a apresentar um pedido de desculpas.
O vídeo publicado por Trump tinha duração de um minuto e dois segundos e, em sua maior parte, reforçava alegações de fraude nas eleições de 2020. Aos 59 segundos, a representação dos Obamas como macacos gerou repercussão imediata.
Em declarações a jornalistas, Trump afirmou que “só viu a primeira parte” do vídeo, relacionada às alegações eleitorais, e que não acompanhou a sequência com o conteúdo racista. Ele reafirmou condenar o trecho ofensivo, mas manteve que não cometeu erro ao compartilhar o material. Os Obamas não se pronunciaram publicamente sobre o vídeo.
Entre os católicos, a reação foi contundente. O bispo de Austin, Texas, Daniel Garcia, presidente da subcomissão para a Promoção da Justiça Racial e Reconciliação da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA (USCCB), afirmou estar satisfeito com a remoção da publicação e lembrou trecho da carta pastoral da USCCB de 2018, que destaca que toda manifestação racista representa uma falha em reconhecer a dignidade do outro como imagem de Deus.



O cardeal Blase Cupich, arcebispo de Chicago, exigiu que Trump peça desculpas imediatas, ressaltando que a prática de desumanizar pessoas por meio de imagens como essa não é coisa do passado e tem histórico de ser usada para marginalizar imigrantes e minorias. Segundo Cupich, se a publicação foi intencional, Trump deveria admitir; caso não, explicar por que permitiu que sua equipe desconsiderasse a reação pública.
O arcebispo de Detroit, Edward Weisenburger, classificou a postagem como “meme racista” e afirmou que é inaceitável que tais representações sejam vistas como humor ou discurso político legítimo. Ele reforçou a necessidade de pedido público de desculpas e de reflexão coletiva sobre o racismo presente na sociedade.
A freira Josephine Garrett, das irmãs da Sagrada Família de Nazaré, destacou que a imagem reproduz um clichê racista antigo e compartilhou conteúdo que valoriza a dignidade do casal, aproveitando o Mês da História Negra para marcar a data.
A Ordem Antiga dos Hibernianos, organização católica irlandesa-americana, também se posicionou contra a publicação, lembrando que táticas similares já foram usadas historicamente para desumanizar grupos étnicos. O comunicado da entidade reforça que a alegação de que o vídeo seria apenas “humor de internet” é moralmente falha e ignora séculos de opressão racial, conclamando à rejeição de qualquer desumanização.

