O Papa Leão XIV aprovou novos estatutos da Pontifícia Academia Mariana Internacional, introduzindo alterações na identidade, finalidade e estrutura do organismo dedicado aos estudos marianos. O documento foi publicado pelo Vaticano no sábado e inclui orientações destinadas a evitar o que descreve como “maximalismo” ou “minimalismo” nas expressões de devoção à Virgem Maria.
De acordo com o Artigo 4.º dos novos estatutos, a promoção e coordenação da investigação mariológica deverão ser conduzidas tendo em vista uma “sã piedade popular”, afastando exageros ou reduções indevidas na abordagem teológica e pastoral. O texto sublinha ainda que a piedade mariana não deve limitar-se a um “devocionismo estéril”, mas antes contribuir para espaços que promovam o desenvolvimento integral da pessoa humana, em harmonia com o meio ambiente.
Outra mudança relevante refere-se à composição da Academia, que passa a admitir, como membros, estudiosos e interessados em mariologia provenientes de outras denominações cristãs, bem como de diferentes religiões e culturas. A medida amplia o caráter interdisciplinar e inter-religioso da instituição, ainda que possa incluir participantes que não partilham integralmente a doutrina católica sobre Maria, como os dogmas da Imaculada Conceição ou o seu papel na economia da salvação.
Os estatutos estabelecem igualmente que a difusão do conhecimento mariano deverá servir não apenas à Igreja, mas também à promoção de uma “fraternidade universal em solidariedade, justiça e paz mundial”. O conceito gerou críticas de alguns comentaristas, que questionam a formulação teológica e o enquadramento doutrinal dessa expressão.



Entre as vozes críticas está a publicação Radical Fidelity, que considera que determinadas cláusulas podem abrir espaço para uma redefinição da tradição mariana. O bispo suíço Marian Eleganti também foi citado em comentários, defendendo que a linguagem sobre fraternidade deve preservar a centralidade da mediação de Cristo.
Os novos estatutos determinam ainda que a Academia atue em coordenação com vários dicastérios da Cúria Romana, incluindo o Dicastério para a Cultura e a Educação, atualmente liderado pelo cardeal José Tolentino de Mendonça.
O debate em torno das alterações ocorre num contexto mais amplo de reflexão sobre a teologia mariana e o papel da devoção à Virgem Maria na vida da Igreja contemporânea. Para os defensores das mudanças, trata-se de promover uma abordagem equilibrada e pastoralmente eficaz; para os críticos, há o receio de que a reformulação possa diluir elementos tradicionais da doutrina e da espiritualidade marianas.

