O ministro das Relações Exteriores, Téte António, afirmou, quarta-feira, em Adis Abeba, Etiópia, que as iniciativas realizadas por Angola, durante a presidência rotativa da União Africana (UA), contribuíram para reforçar a voz do continente nos fóruns globais. A declaração foi feita no discurso de abertura da 48.ª sessão ordinária do Conselho Executivo da organização.
Ao apresentar o balanço das actividades desenvolvidas pelo Conselho Executivo, órgão que presidiu em exercício, o chefe da diplomacia angolana destacou a realização, em Luanda, da 7.ª Cimeira União Africana–União Europeia e a co-organização da 9.ª edição da Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento de África (TICAD), em Yokohama, Japão.

Segundo Téte António, Angola promoveu, no âmbito do multilateralismo, uma diplomacia activa e construtiva, que permitiu a realização de encontros ministeriais relevantes e criou condições políticas para a concretização da TICAD 9 e da 7.ª Cimeira UA–UE. O ministro sublinhou que essas iniciativas fortaleceram parcerias estratégicas assentes no respeito mútuo e em interesses comuns.
No domínio da paz e segurança, referiu que Angola prestou uma contribuição consistente durante o mandato de dois anos no Conselho de Paz e Segurança da União Africana. Entre as acções, destacou o apoio à designação do Presidente do Burundi, Évariste Ndayishimiye, como facilitador para a Região do Sahel, e do presidente do Conselho de Ministros do Togo, Faure Gnassingbé, como mediador no conflito entre a República Democrática do Congo e o Rwanda.
O governante reafirmou ainda o apoio de Angola às iniciativas destinadas à promoção da paz, estabilidade e reconciliação no continente, incluindo na República Centro-Africana, Somália, Sudão e Sudão do Sul, entre outros contextos. Acrescentou que esses esforços foram desenvolvidos em estreita cooperação com os Estados-membros, a Comissão da UA, as Comunidades Económicas Regionais, mecanismos regionais e parceiros internacionais e bilaterais.

Relativamente às reformas estruturais da União Africana, Téte António destacou avanços significativos, nomeadamente a conclusão do processo de escolha da liderança da organização, o início da implementação do processo SACA e os esforços para revitalizar os métodos de trabalho dos órgãos da União, com vista a torná-los mais eficientes, previsíveis e alinhados com a Agenda 2063.
O ministro reiterou o compromisso de Angola com o fortalecimento institucional da União Africana e com uma organização mais sustentável, solidária e capaz de responder às prioridades do continente, num quadro de responsabilidade partilhada e cooperação entre os Estados-membros. Alertou que o mundo atravessa transformações rápidas e que África deve defender os seus interesses com base nesses princípios.


Na ocasião, agradeceu aos Estados-membros da União Africana pelo apoio prestado durante o exercício da presidência do Conselho Executivo, com destaque ao presidente da Comissão da UA, Mahmoud Ali Youssouf.
Sobre as contribuições financeiras, Téte António reiterou a importância de os Estados-membros implementarem a Decisão AU/Dec.938(XXXVIII), de Fevereiro de 2025, que mandatou a Comissão a formular uma nova Escala de Avaliação para apreciação e adopção pela 39.ª Conferência dos Chefes de Estado e de Governo. Referiu que a escala em vigor está desactualizada e defendeu a adopção de uma nova, baseada nos princípios de solidariedade, equidade e capacidade de pagamento.
O ministro apresentou, ainda, condolências, em nome do Conselho Executivo e a título pessoal, aos governos e povos de Marrocos e de Moçambique, pelas perdas humanas causadas pelas recentes inundações.

