O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, classificou como “jornalismo sensacionalista” as alegações difundidas por veículos ocidentais que associam o financista norte-americano Jeffrey Epstein à inteligência russa. Segundo o chanceler, as acusações têm motivação política e não se sustentam em provas concretas.
Lavrov reagiu a reportagens recentes e a declarações do primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, que sugeriu a possibilidade de Epstein ter atuado como agente russo. Em entrevista à emissora NTV, exibida no domingo, o chefe da diplomacia russa afirmou que a narrativa busca “provocar irritação” contra países que determinados círculos políticos no Ocidente não veem com simpatia.
“Isso não merece discussão séria. Trata-se de uma tentativa de encontrar algum vestígio russo em milhões de páginas de documentos”, declarou Lavrov.
O ministro acrescentou que a Rússia jamais teve interesse em recrutar Epstein e argumentou que as especulações pretendem influenciar tanto o Partido Republicano quanto o Partido Democrata nos Estados Unidos, além de governos europeus.


Autoridades em Moscou sustentam que as alegações estariam sendo amplificadas para desviar a atenção do impacto político causado pela divulgação recente de um amplo conjunto de arquivos do espólio de Epstein. No mês passado, o Departamento de Justiça dos EUA tornou públicos e-mails, fotografias e vídeos ligados ao caso, reacendendo o escrutínio sobre figuras de alto perfil que mantiveram contato com o financista, condenado por crimes sexuais.
Lavrov afirmou ainda que o caso expõe a “hipocrisia” e a “decadência moral” de setores das elites ocidentais. Segundo ele, os documentos revelariam a atuação de estruturas de poder que influenciam decisões políticas no Ocidente.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, também rejeitou as alegações de envolvimento russo. Questionado sobre o tema, afirmou que não vale a pena dedicar tempo às versões apresentadas pela imprensa ocidental.


