
O governo do México confirmou, nesta segunda-feira 09, a suspensão temporária do envio de petróleo a Cuba, em meio a ameaças dos Estados Unidos de impor sanções a países que forneçam recursos energéticos à ilha. A decisão foi anunciada pela presidente Claudia Sheinbaum, que afirmou buscar uma solução diplomática que evite prejuízos ao México sem comprometer o apoio ao povo cubano.
Segundo a mandatária, a interrupção ocorre como medida preventiva diante do risco de retaliações econômicas por parte da Casa Branca, liderada pelo presidente Donald Trump. Washington tem sinalizado a aplicação de tarifas e sanções contra países que mantenham relações energéticas com Havana.
Sheinbaum declarou aos jornalistas, que a suspensão não representa uma mudança definitiva na política externa mexicana em relação a Cuba.
O envio está suspenso neste momento. Estamos avaliando caminhos para evitar impactos negativos ao México e, ao mesmo tempo, encontrar uma solução diplomática para que Cuba possa receber combustível”
Claudia Sheinbaum, Presidente do México.
Durante o pronunciamento, a presidente criticou duramente a postura do governo norte-americano. Para ela, sanções que afetam o fornecimento de energia agravam a situação humanitária da população cubana. “Não se pode penalizar um povo por divergências políticas com seu governo. A falta de combustível afeta hospitais, escolas e serviços essenciais”, afirmou.
Apesar da suspensão do petróleo, o México informou que seguirá prestando apoio humanitário à ilha. No domingo, o governo confirmou o envio de mais de 800 toneladas de donativos, transportados por dois navios, contendo alimentos e itens de primeira necessidade, como leite em pó, arroz, feijão, atum, biscoitos, proteína animal e produtos de higiene.



As autoridades mexicanas também indicaram que outras remessas estão previstas. Mais de 1,5 mil toneladas adicionais de leite em pó e feijão permanecem prontas para envio, aguardando definições logísticas e diplomáticas.
A relação entre México, Cuba e Estados Unidos volta ao centro do debate regional em um contexto de tensões históricas, marcado pelo embargo norte-americano à ilha e por disputas em torno da soberania e da política externa na América Latina.

