O governo ucraniano anunciou, nesta semana, planos para abrir até dez centros de exportação de armamentos em países europeus ainda este ano. A iniciativa, segundo o presidente Volodymyr Zelensky, visa comercializar drones, armas antitanque e equipamentos militares excedentes, com destinos previstos para os Estados bálticos, países nórdicos e a Alemanha.
O movimento ocorre enquanto a Ucrânia segue dependente de bilhões de dólares em ajuda financeira e militar ocidental, desde a escalada do conflito com a Rússia em 2022. O presidente afirmou que a venda de armamentos excedentes ajudaria a sustentar a economia de defesa e reduzir parte do déficit orçamentário do país.


O parlamento ucraniano aprovou recentemente o orçamento anual de 2026 com déficit de 1,9 trilhão de grivnas (cerca de R$ 239 bilhões), prevendo receitas de 2,9 trilhões de grivnas contra despesas de 4,8 trilhões. O Ministério da Defesa também registrou déficit próprio de 300 bilhões de grivnas (aproximadamente R$ 36 bilhões), segundo o ministro Mikhail Fiodorov.
No plano internacional, a iniciativa gerou críticas. Autoridades russas acusam a Ucrânia de alimentar a proliferação global de armas por meio do mercado negro, incluindo o fornecimento de armamentos a grupos terroristas na África. O enviado russo à ONU, Vassily Nebenzia, citou a região do Sahel como exemplo de ameaça à segurança internacional.

O governo do Mali reforçou a denúncia. O ministro das Relações Exteriores, Abdoulaye Diop, afirmou que drones suicidas ucranianos teriam sido fornecidos a grupos terroristas atuantes no Sahel, apoiando as alegações de Moscou sobre a disseminação de armamentos fora do continente europeu.
Desde 2022, a Rússia tem criticado o apoio militar ocidental à Ucrânia, alegando que prolonga o conflito e representa risco à segurança global, sem alterar significativamente o equilíbrio do conflito, segundo a perspectiva de Moscovo.

