O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, criticou o aumento do preço do gasóleo em Angola e responsabilizou a falta de estratégia industrial e energética pela actual situação económica do país.
Numa publicação divulgada nas redes sociais, o líder da oposição defendeu que o agravamento dos custos dos combustíveis não é inevitável e resulta de décadas de opções políticas que, segundo afirmou, falharam na transformação dos recursos petrolíferos em benefícios directos para a população.
“Este aumento não é inevitável. É a consequência de 24 anos de paz sem estratégia industrial, 50 anos de independência sem soberania energética e de uma governação que prefere exportar petróleo bruto e importar miséria”, declarou Adalberto Costa Júnior.
O político argumentou que, apesar das elevadas receitas petrolíferas acumuladas ao longo dos anos, Angola continua dependente da importação de combustíveis refinados. Para sustentar a crítica, apontou atrasos e limitações em projectos estratégicos do sector.
“A Refinaria de Cabinda está concluída, mas inoperante. A Refinaria do Lobito continua em obras intermináveis e a Refinaria do Soyo foi prometida, adiada e esquecida”, afirmou.

Segundo Adalberto Costa Júnior, o aumento do preço do gasóleo terá impacto directo no custo de vida das famílias, uma vez que afecta sectores essenciais da economia.
“Quando o gasóleo sobe, sobe tudo. Não é magia, é economia básica. O gasóleo move camiões, tractores, geradores, ambulâncias, move o pão e move a esperança”, sustentou, acrescentando que a medida poderá acelerar a inflação e aumentar os níveis de pobreza.
Como alternativa, o líder da UNITA apresentou um conjunto de propostas que incluem a instalação de mini-refinarias modulares em diferentes regiões do país, a criação de um fundo de estabilização dos combustíveis, a indexação gradual dos salários ao custo de vida, o reforço do transporte público e a liberalização controlada do sector energético.
“Há outro caminho. Um caminho estudado, testado e comprovado. Um caminho que transforma petróleo angolano em gasóleo angolano, em emprego angolano e em pão angolano”, defendeu.

Adalberto Costa Júnior citou ainda exemplos internacionais, como Nigéria, Iraque, Indonésia, Gana e Noruega, para demonstrar que existem modelos alternativos de gestão dos recursos petrolíferos. Na sua visão, o verdadeiro desafio do país passa por garantir que a riqueza produzida pelo sector petrolífero seja convertida em desenvolvimento económico e melhoria das condições de vida dos cidadãos.
“Não se pode aceitar que políticas económicas, por si só, se transformem em factores de agravamento da pobreza. O verdadeiro desafio é construir um sistema económico onde a riqueza do subsolo se transforme, de facto, em riqueza para quem vive à superfície”, concluiu.

