A saída da Gounkoto Mining Services (GMS), uma das principais empreiteiras ligadas ao complexo aurífero de Loulo-Gounkoto, no Mali, está a intensificar a instabilidade no sector mineiro africano e a aumentar a pressão sobre um dos activos mais lucrativos da indústria do ouro no continente.
A empresa, associada ao grupo francês Bouygues Construction através da DTP Mining, deverá encerrar operações após a decisão da Barrick Mining de não renovar o contrato em 2026, numa altura marcada por disputas fiscais, controlo operacional e tensões políticas entre a multinacional canadiana e o Governo do Mali.
O impacto imediato inclui o despedimento de mais de 600 trabalhadores, levantando preocupações sobre estabilidade laboral, continuidade operacional e confiança dos investidores internacionais no mercado mineiro maliano.


O complexo de Loulo-Gounkoto continua a ser um dos mais estratégicos activos de ouro em África, tendo gerado cerca de 900 milhões de dólares em receitas em 2024 para a Barrick.
Contudo, as interrupções provocadas pela administração provisória do Estado e os sucessivos conflitos regulatórios reduziram significativamente a produção da mina, contribuindo para uma queda de 23% na produção de ouro do Mali em 2025.
Dados reportados pela Reuters indicam que a produção continua abaixo dos níveis históricos, apesar da recuperação parcial das operações após dezembro.
A redução da actividade operacional já levou a Barrick a rever em baixa as previsões de produção para 2026, retirando inclusive partes da mina de Gounkoto do seu planeamento estratégico anual.


Para analistas do sector extractivo, a situação demonstra como conflitos regulatórios e incertezas políticas podem afectar cadeias globais de fornecimento de minerais estratégicos, reduzindo competitividade e afastando capital estrangeiro.
O Mali, um dos maiores produtores africanos de ouro, enfrenta agora o desafio de equilibrar soberania sobre recursos naturais com a necessidade de preservar atractividade para investidores internacionais.
A desaceleração da maior mina do país poderá gerar efeitos indirectos sobre receitas fiscais, exportações e crescimento económico regional, além de afectar fornecedores, pequenas empresas e serviços ligados à actividade mineira.

