Depois de anos marcada por dificuldades financeiras, perda de influência e serviços abaixo das expectativas, a Angola Telecom vai deixar de funcionar como empresa pública e passa agora a sociedade anónima de capitais públicos.
A decisão do Executivo abre caminho para a privatização de 15% da operadora e reacende um debate inevitável o problema da empresa era o modelo estatal ou a falta de gestão eficiente ao longo dos anos. As informações constam do despacho presidencial divulgado pelo Governo angolano.
O Executivo defende que a transformação pretende tornar a empresa mais competitiva e atractiva para investidores, numa altura em que o mercado das telecomunicações em Angola evolui rapidamente.


Mas a medida também expõe uma realidade desconfortável enquanto o mundo acelera na inovação digital, a Angola Telecom perdeu espaço, clientes e relevância estratégica, mesmo sendo uma empresa considerada fundamental para a conectividade nacional.
Apesar da mudança jurídica, o controlo continuará nas mãos do Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado, e os actuais gestores mantêm-se em funções até à nova estrutura societária.
É exactamente este ponto que levanta dúvidas entre analistas e cidadãos, que questionam se haverá verdadeira reforma ou apenas uma mudança de nome para tentar recuperar a confiança do mercado sem alterar os problemas de fundo.


A abertura parcial ao capital privado pode atrair investimento para fibra óptica, serviços digitais e modernização tecnológica.
Porém, muitos acreditam que nenhuma privatização terá impacto real sem transparência, responsabilização e uma gestão orientada para resultados.
A Angola Telecom chega a esta nova fase pressionada pelo passado e obrigada a provar que ainda consegue competir num sector onde o atraso custa caro.

