Moçambique prepara uma reforma estrutural do seu sector mineiro, propondo a introdução de uma participação mínima de 15% do Estado em todos os projectos e a proibição da exportação de minerais não processados, numa estratégia orientada para maximizar valor interno e impulsionar a industrialização.
A iniciativa, que será debatida no Parlamento, surge como resposta às limitações do actual quadro legal e pretende transformar os recursos naturais em motores sustentáveis de crescimento económico, com maior retenção de receitas e fortalecimento da cadeia de valor local.
O novo modelo redefine o equilíbrio entre investidores privados e o Estado, introduzindo maior controlo público, mas também criando incentivos para instalação de unidades de processamento no país.


A obrigatoriedade de canalizar 10% das receitas para desenvolvimento local e a criação de zonas específicas para mineração artesanal ampliam o impacto económico e social dos projectos, ao mesmo tempo que elevam as exigências de compliance e governação.
Para investidores internacionais, o ambiente torna-se mais regulado, mas potencialmente mais previsível, sobretudo num contexto de crescente procura global por minerais críticos ligados à transição energética.



A estratégia moçambicana insere-se numa tendência continental de nacionalismo de recursos, acompanhando movimentos em países como Mali, Burkina Faso e Gana, que têm reforçado a participação estatal e revisto regimes fiscais para capturar maior valor das suas reservas.
Este reposicionamento transforma o sector mineiro africano numa alavanca estratégica para industrialização e diversificação económica, reduzindo a dependência de exportações de matérias-primas e aumentando a competitividade global.

