Angola anunciou a disponibilização de cinco milhões de dólares ao Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC África), numa medida que reforça a resposta continental ao surto de Ébola que afecta a República Democrática do Congo (RDC) e o Uganda e evidencia o compromisso do país com a segurança sanitária regional.
A informação foi avançada pela ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, durante uma reunião de alto nível promovida pela União Africana para avaliar a evolução da epidemia nos Grandes Lagos.
Em representação do Presidente João Lourenço, a governante defendeu uma mobilização urgente de recursos para travar a propagação da doença.

“Angola reafirma aqui o cumprimento integral da sua contribuição voluntária de cinco milhões de dólares a favor do CDC e insta os parceiros de desenvolvimento a converterem as suas manifestações de solidariedade em apoio orçamental directo ao Plano Conjunto de Preparação e Resposta”, declarou.
Sílvia Lutucuta alertou que a variante “bundibugyo” do vírus do Ébola representa um risco acrescido para os países da região devido à intensa circulação de pessoas e mercadorias, sublinhando que Angola já reforçou a vigilância epidemiológica e os mecanismos de resposta nas zonas fronteiriças, sobretudo junto à RDC.


A ministra defendeu ainda que a actual crise deve acelerar a aposta africana na soberania sanitária, através do fortalecimento da investigação científica e da produção local de vacinas, medicamentos e meios de diagnóstico.
“A janela de oportunidade para circunscrever e neutralizar esta variante é exígua. Cada dia de hesitação agrava o risco de uma emergência de saúde pública de impacto continental”, advertiu.
O apoio financeiro angolano surge num momento em que os países africanos procuram fortalecer a coordenação regional para evitar que o surto se transforme numa ameaça de maiores proporções para o continente.

