Luanda – O pré-candidato à presidência do MPLA, José Carlos de Almeida, lançou duras críticas ao líder do partido e Presidente da República, João Lourenço, questionando a sua formação académica, a alteração dos estatutos do MPLA e a decisão de voltar a concorrer à liderança da organização.
Em entrevista à Rádio Essencial, José Carlos de Almeida colocou em causa a informação constante da biografia de João Lourenço, onde este é apresentado como historiador, desafiando o chefe de Estado a esclarecer onde obteve a sua formação superior.
“O Presidente João Lourenço, na sua biografia, menciona o facto de ser historiador. Em que universidade ele estudou? Eu estudei na Universidade Autónoma de Lisboa Luís de Camões. Qualquer indivíduo pode lá ir. Mas o camarada João Lourenço, em que universidade ele estudou?”
O pré-candidato afirmou ainda que o Presidente da República nunca frequentou uma universidade e questionou o reconhecimento académico das suas habilitações.
“Ele não frequentou nenhuma universidade. Façamos um desafio ao Presidente João Lourenço: em que universidade ele estudou e se o seu certificado tem reconhecimento do INAARES. Não tem.”
José Carlos de Almeida explicou que a sua decisão de disputar a liderança do MPLA não teve como objetivo enfrentar João Lourenço, mas sim concretizar uma ambição política antiga de chegar à Presidência da República.
“Eu nunca pensei em concorrer contra o Presidente João Lourenço. Sempre quis ser Presidente da República e preparei-me para o efeito.”
Segundo o dirigente, esperava que João Lourenço deixasse a liderança do partido após cumprir dois mandatos, mas acusou-o de alterar os estatutos do MPLA para viabilizar uma nova candidatura.
“Esperei o meu momento. Acho que o Presidente João Lourenço quer candidatar-se contra mim, porque este é o meu momento. Alterou os estatutos de forma irregular, porque não era um congresso eletivo.”
Na entrevista, José Carlos de Almeida considerou que o atual líder do MPLA já não apresenta um projeto político capaz de justificar a sua permanência na presidência do partido.
“Não há razões para ele continuar a ser líder do partido. Quer como Presidente da República, quer como presidente do MPLA, o camarada João Lourenço é incompetente e incoerente.”
O pré-candidato criticou ainda a possibilidade de o MPLA passar a ter lideranças distintas entre o partido e a Presidência da República, defendendo que esse cenário poderá gerar conflitos internos.
“Teremos bicefalia, porque será o poder do MPLA com duas cabeças. Uma como Presidente da República e outra como presidente do partido. Isso vai gerar conflitos.”
José Carlos de Almeida revelou igualmente que ponderou recorrer ao Tribunal Constitucional de Angola para contestar decisões relacionadas com o congresso do partido, mas afirmou ter sido desaconselhado por considerar que a iniciativa seria infrutífera.
“Pensei na possibilidade de recorrer ao Tribunal Constitucional, mas aconselharam-me que não seria vantajoso porque haveria insucessos e frustração.”
Acrescentou, no entanto, que chegou a dirigir uma comunicação à presidente do Tribunal Constitucional, solicitando uma intervenção para que o MPLA regularizasse a emissão dos cartões de militantes, condição que considerava essencial para assegurar um processo interno mais transparente.
Sobre a candidatura de João Lourenço, José Carlos de Almeida levantou dúvidas quanto à rapidez com que foram recolhidas as assinaturas de apoio, classificando o processo como pouco credível.
“O Presidente João Lourenço manifestou interesse num sábado e na segunda-feira apresentou 11 mil assinaturas. Isso não faz sentido. É revelador de falta de inteligência.”
As declarações foram proferidas durante uma entrevista concedida à Rádio Essencial, no âmbito da sua pré-candidatura à presidência do MPLA, num momento em que o partido se prepara para o seu próximo congresso.