A empresária Isabel dos Santos manifestou descontentamento com a atual situação económica e social de Angola e afirmou esperar que o país entre num novo ciclo político após as eleições gerais de 2027.
Em entrevista à Rádio Essencial, acompanhada pela Revista Luanda, a empresária apontou o desemprego, a desvalorização do kwanza e a perda do poder de compra das famílias como alguns dos principais desafios enfrentados pelos angolanos.
“Espero que Angola tenha uma nova liderança depois de 2027”, declarou, defendendo uma governação mais capaz de responder às necessidades da população e de impulsionar o crescimento económico.
Isabel dos Santos considerou ainda que o país possui recursos e potencial suficientes para alcançar melhores resultados, desde que sejam adotadas políticas mais eficazes de desenvolvimento.

Durante a entrevista, a empresária recordou também a trajetória da Unitel, destacando que o sucesso da operadora foi construído ao longo de vários anos.
“Em 1998, a Unitel tinha apenas 30 trabalhadores e funcionava num pequeno escritório alugado por cima dos Armazéns Carrapa, no Kinaxixi”, afirmou.
Segundo explicou, o crescimento da empresa foi sustentado pela reinversão dos lucros e pelo recurso ao financiamento bancário. “A Unitel que se vê hoje é fruto de muitos anos de trabalho. Nós começámos aos poucos, vendendo produtos, gerando receitas e pagando créditos”, sublinhou.


Isabel dos Santos aproveitou igualmente para rejeitar as acusações de que tem sido alvo nos últimos anos, classificando-as como motivadas por interesses políticos. “Estou a ser acusada de coisas que não existem e nem aconteceram por razões políticas, por vingança, revanchismo e divisões internas do MPLA”, afirmou.
A empresária sustentou que está a ser envolvida em disputas políticas por ser filha do antigo Presidente da República, José Eduardo dos Santos. “Por ser filha do antigo Presidente da República, de certa forma sou usada e apanhada no meio dessas situações”, declarou.
As declarações surgem num contexto em que o debate sobre o futuro político e económico de Angola ganha cada vez mais destaque, à medida que o país se aproxima do próximo ciclo eleitoral.

