As críticas ao processo de candidaturas para a presidência do MPLA continuam a ganhar força.
Desta vez, o militante Valdir Cônego acusou o coordenador da Subcomissão de Candidaturas da Comissão Nacional Preparatória do IX Congresso Ordinário, Job Capapinha, de ter desrespeitado o calendário eleitoral do partido ao anunciar a validação da candidatura de João Lourenço antes do período oficialmente previsto.
Num vídeo divulgado nas redes sociais, Valdir Cônego recordou que, na primeira conferência de imprensa da Subcomissão, foi anunciado que a apresentação das candidaturas decorreria até 25 de Outubro, a verificação da conformidade entre 26 de Outubro e 1 de Novembro e a notificação sobre a validade ou nulidade das candidaturas entre 2 e 5 de Novembro de 2026.
“Como é que hoje o camarada Job Capapinha notificou o camarada Jú Martins para dizer que a candidatura do Presidente João foi validada, se o período de validade ou nulidade é de 2 a 5 de Novembro?”, questionou.
Para Valdir Cônego, a decisão contraria o calendário apresentado pela própria Subcomissão. “O camarada Job Capapinha não foi sincero. Deu a conhecer um calendário e agora passa por cima do próprio calendário”, afirmou, considerando que a alegada validação antecipada prejudica a transparência e a credibilidade do processo.
As críticas surgem numa altura em que outros pré-candidatos também têm levantado reservas sobre a condução do processo. Francisco Higino Carneiro apresentou um recurso hierárquico à Comissão Nacional Preparatória, contestando alegadas irregularidades e denunciando obstáculos à recolha de apoios para a sua candidatura.


Entre as preocupações apontadas pelo antigo governador está a existência de alegadas orientações internas para dificultar a validação de subscrições e a necessidade de uma auditoria independente aos processos de candidatura.
Por sua vez, António Venâncio, igualmente pré-candidato à liderança do MPLA, acusou recentemente a Subcomissão de Candidaturas de criar constrangimentos aos concorrentes.
Numa publicação na sua página oficial do Facebook, afirmou que a divulgação antecipada de decisões relacionadas com candidaturas “causou sérios constrangimentos aos três outros pré-candidatos” e advertiu que, caso os conflitos não sejam resolvidos internamente, “o Tribunal Constitucional será chamado a intervir”.
Face às reclamações, a Comissão Nacional Preparatória do IX Congresso Ordinário reafirmou a legalidade do processo.
No comunicado final da sua II Reunião Ordinária, o órgão confirmou ter recebido uma missiva de Higino Carneiro e esclareceu que “o MPLA rege-se pelos Estatutos aprovados no VIII Congresso Extraordinário”, acrescentando que “os órgãos em funções conduzem os processos electivos até à eleição dos novos órgãos no congresso subsequente”.


Valdir Cônego invocou ainda os Estatutos e o Código de Ética do MPLA para sustentar as suas críticas. “O artigo sobre os deveres do militante diz que é preciso ser humilde, honesto, leal, modesto e sincero. O camarada Job Capapinha não foi leal nem sincero”, declarou.
Ao concluir, apelou para que os responsáveis do processo actuem com imparcialidade: “Não fiques ao serviço do Presidente João Lourenço. Fica ao serviço do partido e do povo angolano”.
O caso evidencia o crescente debate interno em torno da corrida à presidência do MPLA, numa fase em que o partido se prepara para o seu IX Congresso Ordinário, marcado para dezembro de 2026.

