Uma reflexão política divulgada na página oficial da UNITA por Kamalata Numa, general na reforma e dirigente do partido, voltou a colocar no centro do debate a relação entre o MPLA e o Estado angolano.
O general na reforma e dirigente político Kamalata Numa lançou duras críticas ao MPLA, acusando o partido no poder de confundir a sua identidade com a do próprio Estado angolano e de permanecer excessivamente concentrado em disputas históricas, enquanto persistem desafios sociais e económicos que afectam a população.
Numa reflexão divulgada por ocasião do Dia Mundial da Criança, Numa recorreu a uma narrativa satírica para questionar a relação entre o partido governante e o país.
“Talvez o maior erro não estivesse numa data, num acordo ou numa decisão política. Talvez estivesse na convicção de que um partido podia ocupar o lugar de uma Nação inteira”, afirmou.
Ao longo do texto, o político critica aquilo que considera ser a incapacidade de responder às preocupações actuais dos cidadãos, sobretudo dos mais jovens.
“As escolas precisavam de mais qualidade. Os hospitais precisavam de mais recursos. Os jovens procuravam oportunidades. Mas os dirigentes continuavam ocupados a discutir quem tinha razão há cinquenta anos”, escreveu.

Numa defende que os partidos políticos devem servir os cidadãos e não assumir-se como proprietários do destino nacional. “Os países pertencem aos seus cidadãos. Os partidos pertencem aos seus militantes”, sublinhou, numa das passagens mais incisivas da sua mensagem.
A concluir, o dirigente alertou para os riscos de uma excessiva identificação entre partido e Estado, deixando uma crítica directa ao actual modelo de governação.
“Quando um partido político começa a acreditar que é dono do país, corre o risco de um dia acordar e descobrir que permaneceu prisioneiro de si mesmo, enquanto a História seguiu para outro destino”, concluiu.

