Angola vai reduzir, nos próximos três meses, o fornecimento de diamantes brutos de pequeno porte provenientes das minas de Catoca e Luele, numa medida destinada a proteger o valor da produção nacional e evitar a saturação do mercado internacional.
O anúncio foi feito pelo director comercial da Endiama, Elton Escrivão, durante a feira Luxury, realizada em Las Vegas, nos Estados Unidos.
“Nos próximos três meses, vamos reduzir substancialmente o volume de diamantes de pequeno porte que colocamos no mercado, principalmente em Catoca e Luele”, afirmou Elton Escrivão.
Segundo o responsável, o objectivo é “proteger o valor da nossa produção e o mercado”, numa altura em que Angola regista um forte crescimento da produção diamantífera, mas enfrenta uma queda significativa dos preços devido ao excesso de oferta de pedras de menor dimensão.


A decisão surge depois de as exportações angolanas de diamantes brutos terem aumentado 70% em 2025, alcançando 17,7 milhões de quilates. Apesar desse crescimento, o preço médio caiu 29%, reflectindo a pressão exercida pelo aumento da oferta global.
Escrivão admitiu ainda que, caso seja necessário, a redução poderá ser prolongada. “O mais importante é que o mercado começará a receber um volume substancialmente menor de diamantes pequenos”, reforçou.

O significado desta medida vai além da simples redução da produção. Trata-se de uma estratégia para preservar o valor dos diamantes naturais num mercado cada vez mais competitivo.
A iniciativa recebeu o apoio de Al Cook, que considerou a decisão parte de uma tendência global para tornar os diamantes naturais mais raros e valiosos.
Para Angola, actualmente o terceiro maior produtor mundial, a aposta representa uma tentativa de equilibrar crescimento e rentabilidade, garantindo que o aumento da produção não comprometa os ganhos do sector.

