A Assembleia Nacional inicia esta terça-feira a discussão da Proposta de Lei do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRPS), um diploma que poderá alargar a base tributária do país e incluir rendimentos obtidos por trabalhadores do sector informal, como zungueiras, taxistas e mixeiros.
A medida marca mais uma etapa da reforma fiscal em curso e promete gerar intenso debate sobre os seus impactos sociais e económicos.


Segundo a proposta, o novo regime pretende reorganizar a tributação dos rendimentos dos cidadãos e tornar mais eficiente a arrecadação de receitas públicas.
O Executivo defende que a iniciativa visa adequar o sistema fiscal à realidade económica do país, ampliando o número de contribuintes e reforçando os mecanismos de controlo e cobrança de impostos.
O verdadeiro significado desta discussão vai além da simples criação de um novo imposto. O IRPS poderá representar uma mudança histórica na relação entre o Estado e milhares de trabalhadores que operam fora do sistema fiscal formal.

Para os defensores da medida, trata-se de um passo necessário para aumentar as receitas do Estado e promover maior justiça tributária.
Já os críticos alertam para o risco de agravar as dificuldades financeiras de cidadãos que dependem de actividades informais para garantir a subsistência diária.
Com o início do debate parlamentar, cresce a expectativa sobre o conteúdo final da lei e sobre a forma como o Estado pretende aplicar o imposto a sectores tradicionalmente excluídos do sistema tributário.
O desfecho das discussões poderá influenciar directamente a vida de milhares de famílias angolanas e redefinir os contornos da política fiscal do país.

