Cerca de 600 cidadãos moçambicanos serão deportados da África do Sul para Moçambique na sequência de uma nova vaga de ataques xenófobos, num episódio que volta a expor a vulnerabilidade dos imigrantes africanos no país vizinho.
O anúncio foi feito pelo porta-voz do Serviço Nacional de Migração de Moçambique, Juca Bata, que confirmou que os afectados são “vítimas de xenofobia” e deverão regressar ao país através da fronteira de Ressano Garcia.

“São cerca de 600 moçambicanos e só chegam amanhã. São vítimas de xenofobia”, declarou Juca Bata. Embora as autoridades moçambicanas ainda não tenham confirmado oficialmente o número de mortos ou feridos, líderes comunitários relatam um cenário mais grave.
Segundo Manuel Chicanhane, representante da comunidade moçambicana no Cabo Ocidental, pelo menos quatro moçambicanos perderam a vida em Mossel Bay.
“Usaram instrumentos, catanas, os outros foram esfaqueados e os outros também foram atingidos por pedras”, denunciou.


Os confrontos terão começado na noite de quinta-feira e evoluído para ataques contra casas de moçambicanos e outros estrangeiros.
“Quase atingiram todas as casas de moçambicanos naquele bairro”, afirmou Chicanhane, acrescentando que alguns imigrantes tentaram defender-se perante a violência.
O caso reacende o debate sobre a incapacidade das autoridades sul-africanas em travar episódios recorrentes de hostilidade contra trabalhadores estrangeiros, que frequentemente são responsabilizados pelos problemas económicos e sociais do país.

Mais do que uma simples deportação, o regresso forçado destes cidadãos representa o fracasso da integração regional e um alerta para a crescente insegurança enfrentada por milhares de africanos que procuram melhores condições de vida além-fronteiras.
Com cerca de 300 mil moçambicanos a residirem na África do Sul, o episódio mostra que a xenofobia continua a ser uma ameaça real, apesar dos sucessivos apelos à convivência e à solidariedade entre povos africanos.

