Luanda — A capital angolana volta a posicionar-se no centro da indústria musical africana com a realização da 5.ª edição do Festival Afro-Caribenho de Zouk, Kizomba e Semba, que decorre esta sexta-feira e sábado no Dream Space, município de Viana. Mais do que um simples espectáculo musical, o evento surge este ano como uma montra de afirmação cultural, circulação económica e networking artístico num sector que começa a ganhar peso estratégico fora dos circuitos tradicionais do petróleo e da construção.
A organização promete reunir algumas das principais referências da música africana e afro-caribenha, num ambiente pensado não apenas para entretenimento, mas também para intercâmbio profissional entre artistas, produtores, promotores culturais e empresários ligados à economia criativa.
Num país onde a juventude enfrenta dificuldades de emprego e oportunidades limitadas fora do sector informal, eventos culturais desta dimensão começam a ser vistos como instrumentos alternativos de dinamização económica e projecção internacional da marca Angola. A música, sobretudo géneros como kizomba e semba, continua a funcionar como um dos poucos produtos culturais angolanos com capacidade real de exportação e influência global.


Mas o crescimento da indústria criativa angolana continua a esbarrar em obstáculos estruturais. Apesar do discurso político sobre diversificação económica, artistas e agentes culturais ainda denunciam falta de financiamento, ausência de políticas sólidas para o sector e escassez de infra-estruturas modernas capazes de transformar talento em indústria sustentável.
Ainda assim, o Festival Afro-Caribenho tenta afirmar-se como um espaço de resistência cultural e oportunidade económica. “A música africana já movimenta milhões no mundo, mas Angola ainda não captura totalmente esse valor”, defendem promotores ligados ao evento, que apostam na internacionalização da kizomba e do semba como activos estratégicos da cultura nacional.

Para muitos observadores, o verdadeiro desafio já não é apenas realizar festivais ou juntar artistas famosos. A questão central passou a ser saber se Angola conseguirá transformar a sua força cultural em influência económica duradoura — num momento em que vários países africanos aceleram investimentos na chamada economia criativa.

