A economia angolana cresceu 5,32% no primeiro trimestre de 2026, acima dos 3,13% registados no mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística.
O dado mais simbólico, porém, não está apenas no crescimento do PIB, mas no facto de o sector não petrolífero ter sustentado a expansão económica, enquanto o petróleo voltou a cair pela quinta vez consecutiva, com uma contracção de 0,21%.

Na prática, isso pode significar que Angola começa lentamente a mostrar sinais de uma economia menos dependente do crude, cenário defendido há anos pelos discursos oficiais, mas raramente confirmado nos números.
Durante a apresentação dos resultados, o presidente do INE, Joel Futi, afirmou que “o desempenho positivo da economia angolana foi outra vez sustentado pelo sector não petrolífero”, destacando áreas como Informação e Comunicação, Transportes, Indústria Transformadora e Pesca entre as que mais cresceram.


O responsável revelou ainda que o PIB nominal atingiu 34,02 biliões de kwanzas, com Agro-pecuária, Comércio e Petróleo entre os sectores de maior peso económico no país.
Apesar dos números positivos, economistas alertam que crescimento económico não significa automaticamente melhoria nas condições de vida da população.
O desemprego, a inflação e o elevado custo de vida continuam a pressionar milhares de famílias, levantando dúvidas sobre até que ponto o crescimento anunciado está realmente a chegar ao cidadão comum.
Os novos dados reforçam a ideia de que Angola vive uma transição económica importante, onde sectores fora do petróleo começam finalmente a ganhar espaço no motor da economia nacional.

