O Papa Leão XIV reconheceu publicamente que a Igreja Católica demorou séculos para condenar a escravatura e pediu “perdão sincero” pelo papel histórico da instituição na tolerância e legitimação do sistema esclavagista.
Uma história rebuscada há séculos, 1452 à 1455, quando Portugal e a Igreja Católica uniram se para reduzir todos os africanos à escravatura perpétua a sul do Cabo Bojador. A Dum Diversas é uma bula papal dirigida a D. Afonso V de Portugal e publicada em 18 de junho de 1452 pelo Papa Nicolau V. Através desta Bula, o Papa afirma:
(…) nós lhe concedemos, por estes presentes documentos, com nossa Autoridade Apostólica, plena e livre permissão de invadir, buscar, capturar e subjugar os sarracenos e pagãos e quaisquer outros incrédulos e inimigos de Cristo, onde quer que estejam, como também seus reinos, ducados, condados, principados e outras propriedades (…) e reduzir suas pessoas à perpétua escravidão, e apropriar e converter em seu uso e proveito e de seus sucessores, os reis de Portugal, em perpétuo, os supramencionados reinos, ducados, condados, principados e outras propriedades, possessões e bens semelhantes (…).


Além da autocrítica histórica, Leão XIV aproveitou o documento para atacar novas formas de exploração ligadas à economia digital e à inteligência artificial, alertando para uma “escravatura moderna” alimentada por tecnologia, desigualdade e concentração de poder económico.
O Papa também voltou a criticar o conceito de “guerra justa”, numa posição interpretada como novo distanciamento da linha política do presidente Donald Trump, sobretudo em relação às tensões militares envolvendo o Irã.
Fonte: Encíclica Magnifica Humanitas e declarações do Papa Leão XIV.

