O Presidente da República, João Lourenço, orientou nesta quinta-feira a reunião da Comissão Económica do Conselho de Ministros, marcada pela aprovação de medidas que obrigam importadores, grossistas e retalhistas a comercializarem produtos nacionais com oferta suficiente no mercado interno.

O Executivo defende que a iniciativa vai fortalecer a produção nacional, reduzir importações e preservar divisas, numa altura em que a pressão económica continua a afectar empresas e consumidores.
“Precisamos transformar a produção nacional numa prioridade efectiva e não apenas num discurso político”, defendem analistas económicos ouvidos em debates públicos sobre diversificação económica.


Nas redes sociais e entre comerciantes, as reacções dividiram opiniões. Alguns empresários consideram a medida necessária para proteger a economia nacional, enquanto outros alertam para dificuldades práticas no abastecimento regular dos mercados.
“A ideia é boa, mas muitos produtos nacionais ainda não conseguem competir em quantidade e qualidade”, comentou José Francisco, comerciante.
Já consumidores mostram receio sobre possíveis aumentos de preços e redução da variedade de produtos disponíveis.
“O povo quer apoiar o produto nacional, mas também quer qualidade e preços acessíveis”, reagiu um internauta angolano após o anúncio das medidas.

A Comissão Económica apreciou igualmente a proposta de alteração da taxa de juro do Banco de Desenvolvimento de Angola para o sector agro-pecuário, além do relatório do Banco Nacional de Angola sobre o fluxo de divisas no primeiro trimestre de 2026.
Economistas defendem que o sucesso das medidas dependerá menos das imposições administrativas e mais da capacidade do Estado em resolver problemas estruturais ligados ao financiamento, energia, logística e apoio aos produtores.
“Sem infra-estruturas e crédito acessível, não haverá verdadeira independência económica”, alertam especialistas ligados ao sector agrícola.

