A reduzida procura do Arquivo Nacional de Angola por parte dos estudantes universitários está a preocupar a instituição, que considera o fenómeno um reflexo da ainda limitada cultura de investigação científica no ensino superior angolano.
A preocupação foi expressa pelo director-adjunto do Arquivo Nacional, Francisco Alexandre, que apontou a escassa utilização das fontes documentais disponíveis como um dos desafios para o fortalecimento da produção académica e científica no país.
Segundo o responsável, muitos estudantes continuam a privilegiar fontes secundárias de informação, deixando de explorar documentos históricos e arquivos que podem enriquecer os seus trabalhos de investigação.
Em declarações à Rádio Cultura Angola, Francisco Alexandre defendeu uma maior participação das universidades e dos docentes na promoção da pesquisa documental.


“É necessário incentivar os estudantes a desenvolverem hábitos de pesquisa mais consistentes e aprofundados”, afirmou, destacando a importância do contacto directo com fontes primárias para a formação de investigadores mais qualificados.
O responsável salientou que o Arquivo Nacional dispõe de um vasto património documental, com informações relevantes para estudos nas áreas da História, Ciências Sociais, Direito, Administração Pública e outras disciplinas académicas.
Para a instituição, a consulta regular desses acervos pode contribuir para elevar a qualidade dos trabalhos científicos produzidos nas universidades angolanas.


Além de reforçar a investigação académica, uma maior utilização do Arquivo Nacional ajudaria a preservar e valorizar a memória histórica do país, promovendo uma compreensão mais profunda da trajectória de Angola e das suas instituições.
Perante este cenário, o Arquivo Nacional apela a uma aproximação mais efectiva entre as instituições de ensino superior e os centros de documentação, defendendo que a investigação científica deve assumir um papel cada vez mais central na formação universitária e na produção de conhecimento nacional.

