Moçambique enfrenta uma das mais graves situações de emergência humanitária dos últimos anos, na sequência das cheias provocadas por chuvas intensas e persistentes que afectam vastas regiões do país, com maior incidência nas zonas centro e sul.
As intempéries provocaram o transbordo de vários rios, a destruição de habitações, estradas, pontes e campos agrícolas, além de milhares de pessoas desalojadas, que se encontram actualmente em centros de acolhimento improvisados, dependentes de assistência alimentar, médica e logística.
De acordo com as autoridades moçambicanas, as chuvas registadas nas últimas semanas ultrapassaram os níveis considerados normais para a época, comprometendo seriamente a capacidade de resposta local, sobretudo em comunidades rurais e zonas de difícil acesso. As populações mais afectadas incluem crianças, idosos e mulheres grávidas, expostos a riscos acrescidos de doenças de origem hídrica, como cólera e malária.


O Governo de Moçambique declarou situação de alerta em várias províncias e mobilizou recursos internos para prestar assistência às vítimas, incluindo evacuações preventivas, distribuição de alimentos e reforço dos serviços de saúde. No entanto, as autoridades reconhecem que a dimensão da tragédia exige apoio externo para minimizar o impacto social e económico das cheias.
Além das perdas humanas e materiais, o sector agrícola foi severamente atingido, com a destruição de extensas áreas de cultivo, o que poderá comprometer a segurança alimentar nos próximos meses e agravar a vulnerabilidade de milhares de famílias que dependem da agricultura de subsistência.
Perante o agravamento da situação, a comunidade internacional respondeu com o envio de ajuda humanitária de emergência. Países da região, entre os quais Angola, bem como parceiros internacionais como a União Europeia, Estados Unidos, Japão e organizações multilaterais, anunciaram apoios em géneros alimentares, medicamentos, tendas e material de socorro.



Especialistas alertam que, para além da resposta imediata, Moçambique enfrentará desafios significativos na fase de recuperação e reconstrução, exigindo investimentos em infra-estruturas resilientes, ordenamento do território e sistemas de alerta precoce, de modo a reduzir os efeitos de fenómenos climáticos extremos, cada vez mais frequentes na região.
A situação mantém-se sob acompanhamento permanente das autoridades moçambicanas e dos parceiros humanitários, numa altura em que as previsões meteorológicas continuam a apontar para a possibilidade de novas chuvas nos próximos dias.
Fonte: Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD)
