O Governo angolano iniciou, terça-feira, em Maputo, a entrega de um apoio humanitário estimado em 75 toneladas de bens diversos à República de Moçambique, em resposta às cheias que afectaram vastas regiões daquele país, provocando perdas humanas, destruição de infra-estruturas e o deslocamento de milhares de famílias.
As primeiras 20 toneladas chegaram à capital moçambicana a bordo de um avião da Força Aérea Nacional (FAN), contendo medicamentos, material médico gastável, roupas, tendas e produtos alimentares de primeira necessidade. A restante ajuda deverá ser enviada nos próximos dias, segundo informou o secretário de Estado para a Saúde Pública, Carlos Alberto Pinto de Sousa.


Ao falar à imprensa, o governante angolano sublinhou que a iniciativa se enquadra na tradição de solidariedade entre os dois países. “Estamos a trazer cerca de 75 toneladas de bens diversos. Este gesto visa reduzir os efeitos das chuvas e traduz o compromisso permanente de Angola para com Moçambique”, afirmou.
Carlos Alberto Pinto de Sousa destacou ainda que a cooperação entre Angola e Moçambique tem sido constante ao longo dos anos, sobretudo em situações de emergência humanitária, reflectindo os laços históricos, políticos e culturais que unem os dois Estados desde o período das lutas de libertação nacional.
Em nome do Governo moçambicano, o secretário de Estado da Economia, António Grispos, manifestou reconhecimento pelo apoio prestado por Angola, considerando-o fundamental num momento em que as populações afectadas enfrentam enormes dificuldades. “As vítimas precisam de tudo para minorar o sofrimento causado pelas intempéries”, declarou.
Segundo o responsável, as cheias registadas nas últimas semanas configuram uma das mais graves crises humanitárias vividas por Moçambique no período pós-independência, com um impacto severo na estabilidade social e económica de várias províncias.



António Grispos realçou, igualmente, o simbolismo do gesto angolano, afirmando que a ajuda “confirma a relação de irmandade e solidariedade recíproca” entre os dois povos. “Angola volta a estender a mão a Moçambique num momento difícil, demonstrando um sentimento que é profundamente partilhado”, acrescentou.
As autoridades moçambicanas reconhecem os esforços do Executivo local no apoio às populações afectadas, mas admitem que a dimensão da tragédia ultrapassa a capacidade de resposta interna, exigindo a mobilização da comunidade internacional.
Além de Angola, a União Europeia, os Estados Unidos da América, Portugal, Noruega, Japão e vários países da África Austral anunciaram e já canalizaram ajuda humanitária de emergência para Moçambique, num esforço conjunto para mitigar os efeitos das cheias.